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Corregedoria investiga se exército de Israel ordenou disparos contra civis em Gaza

Segundo jornal israelense, comandantes do exército de Israel dão ordens às tropas para disparar contra civis

Brasília|Do Estadão Conteúdo

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Corregedoria investiga se exército de Israel ordenou disparos contra civis em Gaza Reprodução/JR

O jornal israelense Haaretz publicou reportagem nesta sexta-feira, (27) segundo a qual comandantes do exército de Israel vêm dando ordens às tropas para disparar contra civis palestinos em filas de distribuição de alimentos em Gaza, como forma de controle de multidões. A Advocacia-Geral Militar (espécie de corregedoria) abriu uma investigação sobre o tema.

Questionado pela reportagem, o exército israelense negou o teor da publicação veiculada. “Rejeitamos veementemente a acusação levantada no artigo - as Forças de Defesa de Israel não instruíram as tropas a atirar deliberadamente em civis, incluindo aqueles que se aproximavam dos centros de distribuição”, afirmou.

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Militares ouvidos pelo Haaretz não identificados se referem aos locais de entrega de ajuda humanitária no sul de Gaza como “campos da morte” e dizem que a ordem para dispersar com tiros partia dos comandantes, mesmo quando não havia risco efetivo.

A Advocacia-Geral Militar disse que atua por meio de um “mecanismo de checagem de fatos”, segundo o qual uma equipe de especialistas jurídicos e militares investigam as denúncias, colhendo relatos e outras evidências no local. Ela tem poder de prisão e pode instaurar procedimentos disciplinares, além de formular acusações em cortes marciais.

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Mortes

Um dos militares ouvidos pelo jornal israelense disse que a ação em filas de alimentos “são uma violação do código de conduta do exército”. A brasileira Damaris Giuliana, que foi gerente de comunicação da ONG Médicos Sem Fronteiras nos territórios palestinos por três meses, até o dia 19, compara os pontos de distribuição de comida a uma “armadilha”.

“Se as pessoas chegam muito cedo aos pontos de distribuição de alimentos, os soldados atiram. Se elas chegam em cima da hora e tem aglomeração por conta do desespero, atiram também. E se as pessoas permanecem na área depois do fim da distribuição, eles atiram da mesma forma”, afirmou.

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As mortes em filas de distribuição de alimentos começaram no dia 27 de maio, quando Israel passou a restringir o trabalho de organizações como a Cruz Vermelha e os Médicos Sem Fronteiras, substituídas por uma empresa chamada Fundação Humanitária de Gaza (GHF), criada pelos EUA e contratada por Israel.

Desde que a GHF assumiu a distribuição, 19 episódios ocorreram na Faixa de Gaza, com 549 palestinos mortos na fila da comida, de acordo com dados da ONU. A entrega de ajuda é sempre caótica e frequentemente a multidão corre para pegar caixas de mantimentos.

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Quando lançada, a empresa tinha como presidente um ex-militar americano. Ela recebeu na quinta-feira (26) uma autorização de aporte de US$ 30 milhões (cerca de R$ 164 milhões) do Departamento de Estado dos EUA.

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