Deputada rebate argumento de blogueiro para não depor na CPMI e diz que 'inquérito é público'
Condenado por tentativa de ataque a bomba, Wellington Macedo disse que só iria colaborar quando a defesa tivesse acesso aos autos
Brasília|Bruna Lima, do R7, em Brasília

Após o blogueiro Wellington Macedo alegar que só iria colaborar com a CPMI do 8 de Janeiro quando tivesse acesso aos detalhes das acusações contra ele, a deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) contrapôs o argumento, ao dizer que o depoente é condenado por participação na tentativa de explodir uma bomba nas proximidades do Aeroporto Internacional de Brasília e que, por isso, o inquérito estaria à disposição dele e dos advogados.
"O depoente, o tempo todo, fala que não teve acesso aos inquéritos. Particularmente, o inquérito da bomba, do aeroporto, ele já foi sentenciado. Portanto, isso é público, todos têm acesso. Como o advogado e ele não tiveram acesso? Nesse caso, se ele tem de fato essa condição para colaborar, ele deveria colaborar, na medida que esse inquérito é público e esse tem sido argumento para ele não falar", alegou Feghali.
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Macedo foi preso na última quinta-feira (14), no Paraguai, após ficar mais de três meses foragido da Justiça. Ele justificou à CPMI que só iria colaborar com os trabalhos do colegiado a partir do momento em que os advogados dele tivessem acesso aos autos acusatórios. "Quando tiver acesso aos autos, vocês podem me convocar novamente aqui que vou colaborar com vocês", afirmou.
Com isso, o depoente resolveu não responder aos questionamentos, medida autorizada por uma liminar do ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal. Na decisão, Barroso também não permite que sejam adotadas medidas restritivas de direito nem privativas de liberdade contra o blogueiro e assegura a ele o direito de ser assistido por seu advogado e de manter comunicação reservada com ele.
Macedo disse não saber "até hoje por que paga um preço tão alto, de tanta humilhação", em referência a não ter acesso aos detalhes da acusação. A defesa do blogueiro entrou com uma apelação contra a prisão. A justificativa é que o réu "discorda da sentença proferida", mas não há apresentação de argumentos no pedido, o que, segundo a defesa, só deve ser feita ao tribunal para onde for encaminhada a ação.
Relembre a condenação
Macedo foi condenado pela Justiça do Distrito Federal por participar da tentativa de atentado a bomba nos arredores do Aeroporto Internacional de Brasília, na véspera do Natal do ano passado. Além dele, o empresário George Washington de Oliveira Souza e Alan Diego dos Santos também foram denunciados pelo crime de tentativa de explosão. O juiz Osvaldo Tovani condenou Wellington por ter levado Alan até a proximidade do aeroporto, onde o explosivo chegou a ser colocado embaixo de um caminhão com combustível.
O advogado do blogueiro, Aécio Fernandes, defendeu a tese de que Macedo não teve envolvimento direto com o planejamento do ataque e que não sabia da existência da bomba quando deu carona a Alan. "O Wellington nunca conheceu o George, viu o Alan pela primeira vez no acampamento quando ele pediu a carona. Por si só essas questões já destroem o suposto liame subjetivo [ligação entre os agentes do crime] que o Ministério Público diz que existiu", disse à reportagem, logo após a prisão do cliente.
Macedo foi condenado a seis anos de prisão. Ele estava foragido desde então e foi detido em uma operação conjunta com a polícia do Paraguai, em Ciudad del Este.














