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Dino diz que vai processar quem afirmou que ele tem ligações com crime organizado

Ministro declarou que 'vão descobrir que sou mesmo super-herói'; mulher de um criminoso esteve no ministério ao menos duas vezes

Brasília|Ana Isabel Mansur, do R7, em Brasília

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'Irei processar autores das mentiras', declarou Dino
'Irei processar autores das mentiras', declarou Dino

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, declarou nesta terça-feira (14) que vai processar quem vem afirmando que ele tem ligação com chefes e integrantes do crime organizado. "Irei processar os autores das mentiras. Aliás, fui avisado por um jornalista que a próxima 'notícia jornalística' é que tenho ligações com o PCC", escreveu Dino em uma rede social.

As acusações contra o ministro começaram depois que a mulher de um líder de facção criminosa participou de encontros dentro do prédio do ministério, com secretários e gestores. "Não há prova de nada, rigorosamente nada, então precisam de uma reunião que não existiu e de uma fraude com um vídeo. Daqui a pouco vão descobrir que sou mesmo um super-herói dos Vingadores. Além de criminosos, são ridículos", completou Dino.

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Nesta segunda (14), começou a circular nas redes sociais uma gravação em que o ministro estaria, supostamente, com a esposa do miliciano. No entanto, a mulher que aparece com Dino nas imagens é a humorista Virgínia Alvares, que rebateu as acusações. "Estão vendo a maldade? Agora, vão ter que provar", afirmou Virgínia em um vídeo compartilhado nas redes sociais.

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"A mentira de hoje, continuando a canalhice de ontem, é que essa senhora do vídeo abaixo é uma criminosa com quem eu teria me reunido, o que é absolutamente falso, como afirmo desde ontem", destacou Dino, também em uma postagem nas mídias digitais.

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Esposa de miliciano

Luciane Barbosa Farias esteve ao menos duas vezes neste ano no Palácio da Justiça, em Brasília. Ela é esposa de Clemilson dos Santos Farias, conhecido como "Tio Patinhas", um dos líderes do Comando Vermelho, que foi preso em dezembro de 2022. A informação foi revelada pelo Estadão.

Depois que o caso veio à tona, a pasta publicou, nesta segunda-feira (13), uma portaria que muda as regras de acesso à sede do órgão. A obrigatoriedade de um cadastro com antecedência de 48 horas entrou no protocolo de acesso para reuniões no ministério.

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Os visitantes e os acompanhantes deverão informar seu nome e CPF. Assim, será possível realizar uma checagem por parte da equipe de inteligência, outra etapa que será adotada para evitar casos como esse.

Apesar de reconhecer a visita, o ministério explicou que Luciene não foi a requerente da audiência, e sim uma entidade de advogados. "A presença de acompanhantes é de responsabilidade exclusiva da entidade requerente e das advogadas que se apresentaram como suas dirigentes", disse a pasta em uma nota oficial.

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Luciene, que também é conhecida como "dama do tráfico amazonense", esteve com Elias Vaz, secretário nacional de Assuntos Legislativos, em março. Ele explicou que a audiência atendia a uma solicitação da Associação Nacional da Advocacia Criminal, feita pela advogada Janira Rocha, ex-deputada estadual no Rio de Janeiro.

Janira entrou acompanhada de duas mães de jovens assassinados — que pediram celeridade nas investigações da morte dos filhos —, além de Luciane Farias, que falou sobre supostas irregularidades no sistema penitenciário brasileiro. "Por essa razão, foi sugerido à advogada Janira Rocha que elas procurassem a Secretaria Nacional de Políticas Penais", explicou Vaz.

Em maio, Luciene participou de outro encontro para levar o assunto. "Não houve qualquer outro andamento do tema", disse o Ministério da Justiça e Segurança Pública. "Sobre a atuação do Setor de Inteligência, era impossível a detecção prévia da situação de uma acompanhante, uma vez que a solicitante da audiência era uma entidade de advogados, e não a cidadã mencionada no pedido de nota", declarou a pasta.

Além do marido, Luciene é condenada em segunda instância por lavagem de dinheiro, associação para o tráfico e organização criminosa. No entanto, ela recorre em liberdade da sentença de dez anos de prisão. Já Tio Patinhas cumpre 31 anos de prisão no Amazonas.

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