Era quieto e introspectivo, contam colegas de PM que matou a família
Nilson Cosme foi encontrado morto na residência onde morava, em Planaltina, junto com a esposa e os dois filhos
Brasília|Renato Souza, do R7, em Brasília

A tranquilidade da avenida Maranhão, localizada no Setor Tradicional, um dos bairros mais antigos de Planaltina, foi quebrada na tarde da última quinta-feira (10) por disparos de arma de fogo seguidos de um incêndio próximo ao antigo cemitério da cidade. O autor era um sargento da Polícia Militar tido como introspectivo e calado pelos colegas de corporação. Com problemas psicológicos, ele estava havia dias com a família dentro de casa.
Antes de ser policial, de acordo com amigos e parentes, Nilson Cosme Batista dos Santos era servidor dos Correios. Ele fez faculdade em Formosa e, desde a vida acadêmica, era visto como alguém de poucas palavras. Em casa, levava a vida familiar com disciplina e motivava os filhos a estudar.
O mais novo, Isaac Furtado dos Santos, era estudante de engenharia química na UnB (Universidade de Brasília) desde 2019. Amigos e colegas afirmam que havia anos Nilson dava sinais de problemas psiquiátricos. Ele teria confessado a algumas pessoas que estava sob pressão, exausto, e que tinha procurado ajuda psicológica, mas não havia conseguido.
A esposa, Maria de Lurdes Furtado, de 50 anos, era frequentadora da igreja matriz de São Sebastião, que ficava a poucos metros de sua casa. A rotina da família era considerada tranquila por vizinhos, com os filhos saindo para estudar, a mulher para a igreja e Nilson para o trabalho. No entanto, a pandemia trouxe mudanças, e o convívio familiar se tornou mais intenso, principalmente nos últimos dias, com o isolamento devido aos casos de Covid-19.
Um colega de batalhão do PM, que prefere não se identificar, afirma que ele era calado no trabalho, mas que não causava problemas. "O Cosme era um policial militar extremamente discreto, de pouca conversa. No entanto, cumpridor das funções desde quando trabalhava em viatura, nas abordagens e revista pessoal em suspeito", diz.
Ainda de acordo com o colega de farda, na vida pessoal Cosme chamava atenção por raramente esboçar um sorriso. "Também quando trabalhava no serviço interno, principalmente na guarda do quartel. Mas no dia a dia ele continuava com o comportamento de falar pouco, sorriso frio, com limites a não dar gargalhadas", completa.















