Logo R7.com
RecordPlus
R7 Brasília

Governo prevê disputa difícil no Congresso para aprovar fim da taxa das blusinhas

Medida do governo que zera imposto de importação para compras internacionais precisa ser aprovada pelo Legislativo

Brasília|Yumi Kuwano, do R7, em Brasília

  • Google News

LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Governo envia medida provisória ao Congresso para zerar imposto de importação em compras internacionais até US$ 50.
  • A proposta deve enfrentar desafios legislativos e resistência de parlamentares ligados à indústria nacional.
  • Frente Parlamentar pelo Brasil Competitivo pede compensações para empresas nacionais, visando manter a competitividade.
  • A popularidade da medida entre consumidores pode influenciar a aprovação e a tramitação no Congresso.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

MP retirou taxas de compras online internacionais, mas ainda precisa ser aprovada pelo Congresso Reprodução/Pexels

Com o envio da MP (medida provisória) que acaba com a chamada taxa das blusinhas ao Congresso Nacional, o cenário ainda é incerto quanto à aprovação pelos deputados e senadores.

A medida provisória autoriza o Ministério da Fazenda a zerar o imposto de importação de 20% para compras de até US$ 50 feitas por pessoas físicas em plataformas internacionais. A MP já está em vigor, mas precisa ser analisada pelo Congresso Nacional em até 120 dias para não perder a validade.


Na avaliação de governistas, a medida provisória deve ser aprovada, mas com muito trabalho, pois não será uma tarefa fácil. No entanto, o respaldo popular em ano de eleições deve ajudar.

O argumento central de quem é contra a medida é que a indústria brasileira enfrenta elevados custos, o que reduz sua competitividade frente aos produtos importados; por isso, a decisão do governo seria apenas eleitoreira.


Parlamentares ouvidos pelo R7 acreditam que haverá uma disputa entre políticos ligados ao setor empresarial, que querem manter a taxa, e aliados do governo.

A Frente Parlamentar pelo Brasil Competitivo emitiu um comunicado após a medida, defendendo uma compensação para empresas nacionais como alternativa, com o objetivo de garantir condições igualitárias de competição entre empresas nacionais e plataformas internacionais.


Eles falam em um tratamento tributário igualitário para compras nacionais de até R$ 250, alinhado aos critérios já aplicados às compras internacionais.

“A proposta busca construir mecanismos mais equilibrados, capazes de fortalecer a economia nacional, preservar empregos e garantir condições mais justas de competição”, diz a nota da frente parlamentar.


Para o senador Laércio Oliveira (PP-SE), a discussão deve ser feita sem antecipações.

“É fundamental que esse debate ocorra com equilíbrio, responsabilidade e sem açodamentos”, afirma.

Leia Mais

A advogada tributarista da Salamacha, Abagge e Calixto Advocacia, Ana Paula Izidoro, diz que a pressão do empresariado pode influenciar o debate, principalmente porque os setores já demonstraram preocupação com os impactos da medida.

“O Congresso tende a enfrentar um equilíbrio delicado entre, de um lado, a defesa da indústria nacional e, de outro, a redução do custo de produtos consumidos pela população, especialmente pelas classes de menor renda”, analisa.

Possíveis mudanças

De acordo com o advogado Marcelo Censoni Filho, especialista em direito tributário, o texto da medida provisória, mesmo caminhando para a aprovação, pode sofrer mudanças, mas isso vai depender da tramitação no Congresso.

“Parlamentares que apoiaram a taxação original podem tentar apresentar emendas para restabelecer parcialmente a cobrança, como uma alíquota reduzida (10% ou 5%) em vez de zerar completamente”, diz.

Até a sexta-feira (15), a MP já havia recebido mais de 20 propostas de emenda parlamentar. Uma delas propõe ampliar a faixa de isenção para importações de até US$ 100 e reduzir de forma escalonada as alíquotas aplicáveis às compras de até US$ 3.000.

No entanto, os parlamentares podem ser pressionados pela população. “A popularidade da medida entre os consumidores pode dificultar a aprovação de alterações que restabeleçam a cobrança”, observa Marcelo.

Ana Paula ressalta que o ambiente político também deverá ser influenciado pelo impacto fiscal da medida, mas a medida está dentro da legalidade. Em dois anos da vigência da taxa das blusinhas, o governo federal arrecadou R$ 8,2 bilhões com o imposto de importação de 20%.

“Do ponto de vista econômico, o governo sustenta que a medida não representaria renúncia fiscal, argumento expressamente registrado na exposição de motivos da MP”, diz a advogada.

Aprovada pelo Congresso em 2024, à época, o argumento usado pela equipe econômica era que a tributação de 20% nas compras de pequeno valor ajudaria na arrecadação e protegeria o mercado nacional da concorrência das compras online.

Search Box

Fique por dentro das principais notícias do dia no Brasil e no mundo. Siga o canal do R7, o portal de notícias da RECORD, no WhatsApp

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.