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Homem que sedou e acorrentou ex pode responder por tortura, sequestro e mais 7 crimes

Ailton Rodrigues de Souza foi preso na última sexta-feira após manter a ex-companheira em um cativeiro em Águas Lindas (GO)

Brasília|Maurílio Nogueira e Tiago Vilela, da RECORD Brasília, e Augusto Fernandes, do R7, em Brasília

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Ailton Rodrigues de Souza foi preso por sequestrar e manter a ex-companheira Emiliane Tamara Nunes Carvalho em cativeiro por cinco dias.
  • Emiliane foi encontrada amarrada, amordaçada e sob efeito de sedativos, após ser resgatada pela polícia.
  • Ailton pode responder por diversos crimes, incluindo sequestro, cárcere privado, tortura e tentativa de feminicídio.
  • O relacionamento era marcado por violência e perseguição, com Ailton realizando ações perigosas contra Emiliane antes do sequestro.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Prisão em flagrante de Ailton foi convertida em preventiva durante audiência de custódia Divulgação/PMGO

Ailton Rodrigues de Souza, preso de forma preventiva por sequestrar e manter em cativeiro a ex-companheira e mãe de dois filhos dele, Emiliane Tamara Nunes Carvalho, de 24 anos, pode responder por crimes como sequestro, cárcere privado, ameaça, porte ilegal de arma e possíveis crimes de tortura e violência sexual.

O homem está preso desde a última sexta-feira (21), cinco dias após armar uma armadilha para Emiliane e aprisionar a ex no quarto de uma casa em Águas Lindas (GO). A vítima ficou amarrada pelos braços e pernas, com fios e correntes, e foi amordaçada e encapuzada com uma máscara no rosto para abafar seus gritos.


As cordas usadas para amarrar Emiliane passavam pelas pernas e o pescoço, de modo que um movimento para esticar as pernas poderia provocar o enforcamento da mulher. Ela também teria permanecido sob efeito de sedativos e gases e sido asfixiada diversas vezes para ficar desacordada.

Para esconder os gritos, Ailton teria deixado um notebook reproduzindo filmes em volume alto próximo à janela, numa tentativa de fazer os vizinhos acreditarem que o barulho vinha de uma televisão.


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A prisão em flagrante de Ailton foi convertida em preventiva durante audiência de custódia. Segundo as informações do caso, ele foi autuado inicialmente por sequestro e cárcere privado qualificado, ameaça e porte ilegal de arma de fogo. A investigação também apura o possível crime de tortura e outros delitos relacionados às condições em que Emiliane foi mantida no cativeiro.

Episódios anteriores

O relacionamento dos dois era marcado pelo comportamento possessivo e agressivo de Ailton, e a polícia vai apurar denúncias feitas pela vítima de episódios anteriores ao dia do sequestro. Segundo Emiliane, após os dois terminarem, Ailton pichou o muro da casa dela com xingamentos, destruiu câmeras de segurança e tirou os parafusos das rodas de seu carro, em uma tentativa de provocar um acidente.


Além disso, ele teria colocado produtos químicos na caixa d’água da casa de Emiliane, o que provocou queimaduras severas pelo corpo e nas partes íntimas dela ao tomar banho.

Dessa forma, a polícia vai avaliar se ele também pode ser acusado por lesão corporal gravíssima (ou tentativa de feminicídio), perseguição, dano e perigo para a vida ou saúde de terceiro.


“As investigações vão continuar para avaliarmos se há um estupro, se ocorreu até mesmo a tortura pela situação. Há sinais de tortura, com certeza. Nós precisamos avaliar com mais cautela o caso concreto, mas é uma situação extremamente grave, extremamente chocante, que é uma circunstância que agrava, sim, a pena dele”, disse a delegada Tamires Teixeira, em entrevista à RECORD.

“Com toda essa situação, hoje a gente percebe que ele é extremamente psicopata, manipulador. Ele agia de forma muito meticulosa, de forma muito perspicaz, para realmente não dar credibilidade para o que ela estava falando”, acrescentou.

Resgate após cinco dias

A localização do cativeiro foi descoberta após a polícia quebrar o sigilo do celular de Ailton e conseguir mapear os locais por onde ele havia passado na semana anterior.

Na tarde de 21 de agosto, policiais militares o avistaram na rua. Ele tentou fugir em alta velocidade e resistiu à abordagem, mas acabou preso. Ao ser informado de que a polícia havia descoberto o cativeiro, revelou a localização do imóvel.

Ao chegarem à casa, os policiais notaram que a casa estava completamente camuflada e vedada. Todas as portas e janelas haviam sido bloqueadas com tapumes de madeira para impedir que qualquer barulho ou pedido de socorro saísse do local.

Os policiais tiveram que arrombar o portão, usando um alicate para quebrar o cadeado. Emiliane foi encontrada deitada em uma cama, amarrada, amordaçada e encapuzada. Depois, foi encaminhada para atendimento médico por causa da alta quantidade de sedativos e das lesões provocadas pela exposição a substâncias químicas.

Vítima relata ainda sentir medo

Em entrevista à RECORD no dia seguinte ao resgate, Emiliane disse ainda estar com medo. “Apesar de ele estar [preso], eu ainda estou com medo (...) porque não impede de ele contratar outras pessoas, até porque, mesmo ele estando lá dentro, ele tinha vários outros contatos fora. Então, eu ainda permaneço com muito medo.”

Com o passar dos dias, o pavor de nunca mais deixar o cativeiro tomou conta da vítima. Emiliane disse que pensava em outros casos de mulheres desaparecidas e assassinadas e passou a imaginar que poderia ter o mesmo destino. “Eu achava que eu não ia sair de lá, porque o que a gente vê na televisão todos os dias são meninas que somem, maridos que matam suas esposas, seus filhos, por ciúmes”, afirmou.

No último dia do cativeiro, Ailton a obrigou a escrever uma carta sob uma grave ameaça de morte. Ao perceber que a grande mobilização das buscas, ele deu duas opções para Emiliane: ou os dois morreriam ali, ou ela aceitaria assinar um “acordo” patrimonial para que ele pudesse fugir.

Pelo plano de Ailton, ele transferiria para o nome de Emiliane os bens que ela exigisse (uma outra casa que eles construíram juntos, o carro dela com a documentação regularizada e uma quantia em dinheiro vivo). Em troca, ela deveria cooperar: ele a libertaria em algum lugar e fugiria, prometendo sumir de sua vida para sempre.

Emiliane escreveu o documento enquanto ainda estava com os pés amarrados e imobilizados. Enquanto ela tentava redigir o texto, Ailton soltou um gás asfixiante no quarto, o que fez a vítima perder a consciência. Quando ela acabou, Ailton a deixou trancada e disse que voltaria para libertá-la assim que resolvesse a documentação. No entanto, antes que ele fizesse algo, a polícia invadiu o cativeiro para resgatá-la.

Depois de ser encontrada, ainda abalada e sob os efeitos dos sedativos, Emiliane afirmou que enxergou o resgate como uma nova oportunidade de vida. “Deus mandou vitória, mandou a polícia para me salvar”.

Após deixar o cativeiro, Emiliane reconheceu que ainda estava assustada e fisicamente debilitada, mas destacou o fato de ter sobrevivido. “Eu estou um pouco tonta, um pouco abalada, com medo, mas bem. E com saúde”, afirmou. E resumiu o sentimento depois de tudo o que havia vivido: “Pelo menos estou com vida no momento. Então, esses danos são o de menos”.

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