Justiça dá dez dias para alegações finais da defesa de denunciados pelos assassinatos de Bruno e Dom
Nessa parte do processo serão apresentados os argumentos finais da acusação e da defesa dos três réus
Brasília|Gabriela Coelho, do R7, em Brasília

A Justiça Federal em Tabatinga (AM) determinou, nesta quinta-feira (27), os prazos para as alegações finais na ação penal dos três denunciados pelo Ministério Público Federal (MPF) como os assassinos do indigenista Bruno Pereira e do jornalista Dom Phillips, ocorridos em 2022. Foram concedidos cinco dias aos assistentes de acusação e dez dias à defesa e ao MPF.
As alegações finais fazem parte do processo em que são apresentados os últimos argumentos das partes envolvidas.
Os réus Amarildo da Costa Oliveira, conhecido por “Pelado”, Oseney da Costa de Oliveira e Jefferson da Silva Lima, que seriam interrogados na audiência, usaram o direito ao silêncio e não foram ouvidos. Na ocasião, os denunciados participaram da oitiva de forma online, pois estão presos em penitenciárias federais nos municípios de Catanduvas (PR) e em Campo Grande (MS).
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Após a apresentação das alegações finais, o processo segue para decisão da Justiça a respeito da pronúncia dos réus, isto é, se os acusados irão ou não a júri popular. De acordo com a equipe de procuradores da República do Grupo de Apoio ao Tribunal do Júri (GATJ), o MPF cumprirá o prazo estabelecido e se manifestará conclusivamente com a maior brevidade possível.
O caso
Dom e Bruno desapareceram em 5 de junho de 2022 e foram vistos pela última vez na comunidade São Rafael, nas proximidades da entrada da Terra Indígena Vale do Javari. Eles viajavam pela região e entrevistavam indígenas e ribeirinhos para a produção de reportagens para um livro sobre invasões de áreas indígenas.
O Vale do Javari, a terra indígena com o maior registro de povos isolados do mundo, é pressionado há anos pela atuação intensa de narcotraficantes, pescadores, garimpeiros e madeireiros ilegais, que tentam expulsar povos tradicionais da região.
Dom morava em Salvador, na Bahia, e fazia reportagens sobre o Brasil havia 15 anos para os jornais americanos New York Times e o Washington Post, bem como para o britânico The Guardian. Bruno era servidor da Funai (Fundação Nacional do Índio), mas estava licenciado desde que fora exonerado da chefia da Coordenação de Índios Isolados e de Recente Contato, em 2019.














