Lula critica burocracia e diz que decisões do governo ficam travadas na máquina pública
Presidente afirmou que medidas aprovadas pelos ministérios podem ser barradas por interpretações técnicas
Brasília|Luiza Marinho*, do R7, em Brasília
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira (25), durante a entrega de uma série de obras e projetos em Ponta Porã (MS), que os planos do governo levam tempo para sair do papel devido ao excesso de burocracia. Segundo ele, a situação atrasa a concretização de ações e investimentos públicos.
“Tudo é uma burocracia, tudo é muito difícil. As pessoas pensam que, só porque eu sou presidente, posso ‘chegar lá’ e mudar. Não, esse país tem lei e um monte de gente que mete o dedo nas coisas. Uma coisa que poderia ser resolvida em um mês demora um ano ou mais”, criticou.
A fala do presidente aconteceu enquanto ele entregava títulos de propriedade para famílias do assentamento Itamarati, em Mato Grosso do Sul. O local ocupa uma área de mais de 50 mil hectares e abriga 2.837 famílias e, segundo o governo, é um dos maiores projetos de reforma agrária do Brasil.
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Ainda comentando sobre as dificuldades para implementar medidas do governo, Lula disse que decisões já autorizadas podem ser barradas por interpretações técnicas dentro da administração pública.
“Às vezes eu dou uma ordem para fazer — todos os ministérios já deliberaram e aí eu saio pelo país falando ‘tal coisa aconteceu’ e, quando eu vejo, nada foi divulgado porque parou na mão de alguém que entendeu que não podíamos fazer aquilo".
Agenda em Mato Grosso do Sul
Cumprindo agenda no estado, o presidente também entregará reformas em três aeroportos diferentes: Ponta Porã, Corumbá e Campo Grande. Os investimentos fazem parte do Novo PAC e, apesar de serem privados, contaram com financiamento em parte do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).
A reforma mais significativa foi no aeroporto de Campo Grande, com a construção de “fingers” — como são conhecidos os corredores fechados que ligam os terminais diretamente à porta dos aviões.
Mais cedo, Lula anunciou a retomada da fábrica de fertilizantes na cidade de Três Lagoas (MS), que estava paralisada desde 2015, e defendeu a soberania brasileira.
“O Brasil jamais será soberano se ele não for dono das coisas principais que ele produz. Esse país vai construir sua soberania sendo independente de importação de fertilizante de outros países”, comentou.
*Estagiária do R7, sob supervisão de Augusto Fernandes, editor-chefe.
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