Lula defende soberania nacional ao anunciar retomada de fábrica de fertilizantes em MS
Presidente afirmou que o Brasil precisa reduzir a dependência externa de insumos estratégicos e criticou privatizações
Brasília|Giovana Cardoso e Luiza Marinho*, do R7, em Brasília
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira (25) que o Brasil só alcançará soberania se ampliar sua capacidade de produzir internamente insumos considerados estratégicos para a economia nacional.
O comentário foi feito na cidade de Três Lagoas (MS), durante a cerimônia de entrega de 1.390 títulos de domínio a famílias assentadas, além do anúncio de R$ 20 milhões em investimentos para a recuperação da infraestrutura produtiva do Assentamento Itamarati.
“O Brasil jamais será soberano se ele não for dono das coisas principais que ele produz. Esse país vai construir sua soberania sendo independente de importação de fertilizante de outros países”, afirmou.
Na ocasião, Lula também assinou contratos para a retomada de uma fábrica de fertilizantes, que terá um investimento de R$ 5 bilhões e tem por objetivo reduzir a dependência do país na importação desses produtos. O empreendimento é da Petrobras.
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Críticas à paralisação e privatização
Em seu discurso, o presidente criticou a paralisação da UFN-III (Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III) da cidade, que estava sem obras desde 2015.
“Muita gente do agro não se preocupou que a gente tivesse fábrica de fertilizante aqui [Brasil], porque era muito mais barato importar. Por isso, tantas fábricas foram fechadas e a daqui de Três Lagoas estava paralisada”, comentou.
Além disso, Lula novamente fez críticas às privatizações e defendeu o papel estratégico de empresas estatais.
“O que eu não abro mão é de discutir estrategicamente o papel da Petrobras no Brasil, porque, vira e mexe, aparece um governante que quer vendê-la. Outra coisa, qual foi o ganho do Brasil ao privatizar a Eletrobras? Muita gente que se veste de investidor, na verdade, é apenas um vendedor de ativos públicos a preço de banana”, declarou.
Obra estratégica
Considerada estratégica pelo governo federal e pela Petrobras, a UFN-III integra o Novo PAC e terá capacidade para produzir 3.600 toneladas diárias de ureia granulada e 2.200 toneladas diárias de amônia quando entrar em operação comercial, prevista para 2029.
A produção anual estimada é de cerca de 1,3 milhão de toneladas de ureia, volume equivalente a aproximadamente 16% da demanda nacional pelo insumo.
A Petrobras projeta que, com a retomada de quatro unidades de fertilizantes previstas em sua carteira de investimentos, poderá atender cerca de 35% do mercado nacional de ureia até 2029.
Segundo o governo federal, as obras devem gerar aproximadamente 8 mil empregos diretos e indiretos e impulsionar a economia regional.
Localizada em uma região que concentra grande parte da demanda brasileira por fertilizantes, a unidade também deve contribuir para reduzir custos logísticos e ampliar a segurança no abastecimento do agronegócio.
*Estagiária do R7, sob supervisão de Augusto Fernandes, editor-chefe.
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