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Lula diz que divergências não atrapalham relação com Trump e quer respeito ao Brasil

Em entrevista ao The Washington Post, presidente brasileiro comentou sobre encontro com o norte-americano neste mês

Brasília|Jéssica Eufrásio, do R7, em Brasília

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Lula afirmou que divergências com Trump não afetam sua relação como chefe de Estado.
  • Ele pediu respeito ao Brasil e destacou ser um presidente democraticamente eleito.
  • A reunião entre Lula e Trump incluiu momentos de descontração, como uma sugestão de Lula para que Trump sorrisse mais.
  • Lula enfatizou a importância da negociação e diplomacia, mantendo a dignidade do Brasil.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Em foto oficial divulgada após encontro nos Estados Unidos, Trump aparece sorridente ao lado de Lula Ricardo Stuckert/PR – 07.05.2026

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), deu a primeira entrevista a um veículo de notícias após a reunião que teve com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, há pouco mais de uma semana. Ao jornal norte-americano The Washington Post, o brasileiro comentou, entre outros assuntos, sobre as visões diferentes dos dois líderes em relação a temas da política internacional.

“O Trump sabe que sou contra a guerra contra o Irã, que discordo da intervenção dele na Venezuela e que condeno o genocídio que ocorre na Palestina. Mas essas divergências políticas não interferem em minha relação com ele como chefe de Estado. Quero é que ele trate o Brasil com respeito, entendendo que sou o presidente democraticamente eleito aqui”, afirmou Lula.


A entrevista, que ocorreu no Brasil, foi publicada neste domingo (17). Ela detalha o contexto político atual no país — bem como antes, durante e após a eleição de Lula para o terceiro mandato — e define o petista como um “leão da esquerda na América Latina”, o qual tem tentado mostrar que é capaz de trabalhar com a direita global sem se render a ela.

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A matéria, assinada pela jornalista Marina Dias, também trata da reunião de Lula e Trump, segundo narrado pelo petista. Em uma das conversas que ocorreram entre os dois presidentes, por exemplo, o brasileiro chegou a perguntar se o norte-americano “não sabia sorrir” e recebeu a resposta de que os “eleitores preferem líderes que pareçam sérios”.


“Só durante as eleições. Agora, que está governando, você pode sorrir um pouco. A vida fica mais leve quando sorrimos”, sugeriu Lula a Trump. Posteriormente, na foto oficial divulgada pelo governo brasileiro do encontro, o norte-americano apareceu sorridente ao lado do petista, além de dizer a jornalistas que os dois tiveram uma “ótima reunião”: “Ele [Lula] é um bom homem e um cara esperto”.

Ainda na entrevista ao The Washington Post, Lula emendou: “Se eu conseguisse fazer Trump rir, eu poderia alcançar outras coisas também; não dá para simplesmente desistir”. O texto também afirma que Lula, um ex-sindicalista que ascendeu da extrema pobreza e se elegeu presidente três vezes, construiu a própria identidade política em torno de “negociação” e “diplomacia pessoal”.


Porém, no caso do encontro com Trump, a abordagem envolveu uma lição aprendida com a mãe analfabeta, Dona Lindu. “Aqueles que curvam as próprias cabeças podem nunca mais ter a capacidade de erguê-las novamente”, disse Lula. “O Brasil tem muito orgulho do que é. Não temos de nos curvar a ninguém.”

Mediação de conflitos

O The Washington Post destacou que Lula tem se dedicado a demonstrar por meio da proximidade com Trump que líderes a favor do sistema democrático podem ter diferenças ideológicas, mas negociar mesmo assim. “A democracia falhou quando parou de atender às aspirações básicas das pessoas. Então, qualquer idiota que se posicione contra o sistema é aplaudido. Isso tem acontecido em todo o mundo”, avaliou.


O texto ainda destaca as tentativas do presidente brasileiro de mediar conflitos globais, como na Venezuela, na Ucrânia e em Cuba. No caso do país que era presidido por Nicolás Maduro, Lula contou que chegou a alertar o político capturado pelos Estados Unidos sobre eleições acompanhadas internacionalmente.

Para o petista, pleitos monitorados fortaleceriam a legitimidade da gestão de Nicolás em caso de vitória. “Mas o Maduro não fez isso [garantir a transparência no processo eleitoral] e só aprofundou as suspeitas posteriormente. Algumas pessoas sabem que estão erradas e continuam a fazer a coisa errada, ainda assim”, criticou Lula.

No que diz respeito a Cuba, o líder brasileiro acrescentou que pediu a Trump o fim do bloqueio econômico sobre a ilha, pois ela “precisa de uma chance” e porque o governo de lá quer diálogo. Além disso, o norte-americano teria dito a Lula que não vai invadir a nação caribenha. “O que sei é que, se os Estados Unidos abrirem uma mesa de negociação — não uma baseada em imposições —, Cuba vai participar."

O mandatário brasileiro reforçou, também, a necessidade de fortalecimento do multilateralismo, da paz e da democracia, com os EUA em um papel “mais importante” nessa direção. “Vai ser difícil? Sim. Mas, se eu não acreditasse em persuasão, não estaria na política”, pontuou.

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