Mercado 'não tem coração nem sensibilidade', diz Lula
Durante café da manhã com jornalistas, presidente afirmou que é dever do Estado 'cuidar das pessoas mais necessitadas'
Brasília|Plínio Aguiar, do R7, em Brasília

Em café da manhã com jornalistas no Palácio do Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avaliou, nesta quinta-feira (12), que o mercado "não tem coração, sensibilidade e humanismo" e que é dever do Estado "cuidar das pessoas mais necessitadas".
"Qual a preocupação das pessoas com o governo do PT? Nenhuma. Eu às vezes fico muito irritado e peço desculpa para as pessoas, mas é o seguinte: o mercado não tem coração, não tem sensibilidade, não tem humanismo", disse Lula.
"É preciso saber que o governo tem a obrigação de cuidar das pessoas mais necessitadas e pronto. Por que é bonito pagar 13,5% de juro ao sistema financeiro e não é bonito dar R$ 500 para o pobre comer? Então as pessoas vão ficar irritadas, nervosas", completou.
Ainda no café da manhã, o presidente questionou as instituições do setor. "Eu nunca vi a Febraban se reunir e dizer que está preocupada em pegar uma parte dos juros que recebe e dar para o padre Júlio Lancelotti para cuidar dos moradores de rua. Eu nunca vi. Quem tem que cuidar disso é o Estado, ou as pessoas fazerem solidariedade."
Críticas ao setor financeiro
Essa não é a primeira crítica de Lula ao setor financeiro desde que foi eleito para o comando do Executivo. "Nunca vi um mercado tão sensível. Estranho, porque ele não ficou tão sensível assim nos quatro anos do governo Jair Bolsonaro", disse o presidente no fim do ano passado, por exemplo.
A turbulenta primeira semana de mandato do presidente resultou na perda de quase R$ 13 bilhões de valor de mercado das empresas estatais ligadas ao governo federal listadas no Ibovespa, principal índice acionário brasileiro. Os dados foram compilados pela TC Economatica.
O maior prejuízo, de R$ 12,667 bilhões, ocorreu na Petrobras e está diretamente relacionado à determinação dada aos ministros de interromper o processo de privatização de uma série de estatais.
Outra polêmica que envolve Lula e o mercado está relacionada ao teto de gastos, regra que atrela o crescimento das despesas da União à inflação do ano anterior. "Por que as pessoas são levadas a sofrer por conta de garantir a tal da estabilidade fiscal neste país? Por que toda hora as pessoas falam que é preciso cortar gasto, é preciso fazer superávit, é preciso fazer teto de gasto?", questionou o presidente.
A fala de Lula sobre gastos púbicos ampliou o mau humor do mercado financeiro. A declaração fez o dólar disparar 3% e levou o Ibovespa abaixo dos 110 mil pontos pela primeira vez desde o fim de setembro.
Durante a cerimônia de posse, Lula afirmou que o teto de gastos é uma estupidez e que pretendia revogá-lo. "O SUS é provavelmente a mais democrática das instituições criadas pela Constituição de 1988. Certamente por isso foi a mais perseguida desde então, e foi, também, a mais prejudicada por uma estupidez chamada teto de gastos, que haveremos de revogar."














