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Ministro Joaquim Leite critica ida de autoridades à COP27 em jatinhos privados

No Egito, o atual ministro do Meio Ambiente destacou ainda que governos não podem fazer política com 'discursos populistas'

Brasília|Hellen Leite, do R7, em Brasília

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Ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite, na COP27
Ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite, na COP27 Ministério do Meio Ambiente/Divulgação

O ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite, criticou nesta terça-feira (15) autoridades e personalidades que foram ao Egito em jatinhos particulares para participar da 27ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP27).

"Filantropos, líderes e empresários e seu sempre exagerado número de assessores vieram em jatos particulares ao luxuoso balneário do mar Vermelho para cobrar metas de redução de emissões dos outros, sugerindo carros ultramodernos a hidrogênio ou 100% elétricos, completamente desconexos da realidade de diversas regiões do Brasil e do mundo", comentou.


O ministro não citou o presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que foi à conferência em um jatinho do empresário José Seripieri Junior, que chegou a ser preso em 2020 acusado de envolvimento em suposto esquema de corrupção investigado pela Operação Lava Jato.

Lula tem sido alvo de críticas por ter embarcado para o Egito no jatinho do empresário. Seripieri é fundador e ex-presidente da administradora de planos de saúde Qualicorp.


Desenvolvimento sustentável

O ministro disse que o mundo deve caminhar para uma política ambiental racional que mire o desenvolvimento econômico. Para Leite, mesmo com "enormes desafios", o Brasil avançou ao investir em soluções climáticas e ambientais "lucrativas para as empresas, as pessoas e a natureza".

"O Brasil acredita que o mundo deve caminhar para uma política ambiental racional, não na redução de emissões extremamente forçada, via taxas e custos a vários setores econômicos, com risco de geração de inflação verde e aumento da pobreza", disse Leite. O ministro coordena a delegação do Brasil no evento, que acontece em Sharm el-Sheikh, no Egito.


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Ele também citou o mercado regulado de carbono e a monetização dos ativos ambientais como potência nacional que colocará o Brasil na liderança da compensação de emissões na exportação de créditos de carbono para países e empresas poluidoras.


Além disso, elencou como avanços do Brasil na área ambiental nos últimos anos o Novo Marco do Saneamento e Resíduos, os resultados do programa Lixão Zero e as iniciativas de pagamentos por serviços ambientais, reciclagem.

"Os governos têm a responsabilidade de atuar nesta agenda com racionalidade, sem discursos populistas e utópicos", comentou. Ele também citou como exemplo de política pública de sucesso o financiamento para a renovação de frotas de caminhões, carros, tratores e embarcações.

"No Brasil, temos mais de 900 mil caminhões com mais de 25 anos, imagine essa quantidade de veículos ao redor do mundo; isto sim reduz emissões, melhora a saúde pública e gera empregos", justificou.

Sobre as energias verdes, tema da participação brasileira na conferência deste ano, o ministro citou que o Brasil tem a matriz energética mais limpa entre as grandes nações, com 85% de geração de energia de fontes renováveis. O potencial, entretanto, é muito maior, sobretudo na ampliação da geração solar e eólica em terra e no mar.

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Os debates da COP27 foram iniciados no dia 6 de novembro e vão até sexta-feira (18). O objetivo dos ambientalistas e dos países em desenvolvimento é fazer com que as nações mais ricas se comprometam com a criação de um fundo para cobrir os danos causados pelo aquecimento global.

Nesta semana, o presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), também participará da COP27, no Egito. Além do petista, vão os senadores Randolfe Rodrigues (Rede-AP) e Renan Calheiros (MDB-AL) e a deputada federal eleita por São Paulo Marina Silva.

O convite foi feito pelo Consórcio de Governadores da Amazônia Legal. No evento, a expectativa é que Lula, diante de líderes mundiais, reforce seu compromisso com a agenda ambiental.

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