Mulheres trans são agredidas após denunciarem exploração sexual no entorno do DF
Vítimas teriam sido atacadas em retaliação de familiares da mandante dos crimes; polícia também investiga extorsão
Brasília|Do R7*, em Brasília

Mulheres transexuais e vítimas de exploração sexual denunciaram ter sido supostamente agredidas pela família da mulher investigada pelos crimes. Imagens de vídeo gravado pelas vítimas mostram uma delas com um olho roxo e inchado. A Polícia Civil de Goiás investiga o caso de extorsão e exploração sexual, que ocorreu em Valparaíso de Goiás, no entorno do Distrito Federal, em maio deste ano.
No vídeo, as vítimas afirmam que a agressão seria uma forma de retaliação, para que elas retirassem o boletim de ocorrência registrado contra a mulher, investigada por extorsão e tráfico de pessoas.
“Eles invadiram a nossa casa hoje de madrugada, tinha uma criança aqui conosco. Eu tinha acabado de chegar do hospital com ela, mas invadiram a nossa casa e quebraram tudo”, diz uma das mulheres. A agressão ocorreu no último sábado (15).
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A delegada Samya Noleto, da 1ª Delegacia de Polícia Civil, em Valparaíso de Goiás, contou ao R7 que as vítimas registraram a ocorrência na Polícia Civil do Distrito Federal. “Elas foram convocadas para explicar o que aconteceu. Em maio, fizemos a operação para prendermos a mandante da exploração, identificada como Juliana”, explicou.
Após a prisão de Juliana, cujo nome de registro foi divulgado como David Ferreira Pinto, a investigação pediu a prorrogação da prisão temporária. A delegada acredita que os familiares da mandante teriam procurado as testemunhas após a decisão. O caso continua sendo investigado para identificar os agressores.
Relembre o caso
Em maio, a Polícia Civil de Goiás cumpriu um mandado de busca, apreensão e prisão temporária em uma casa em Valparaíso de Goiás. A corporação encontrou armas, drogas e objetos utilizados para extorsão e exploração sexual de um grupo de mulheres transexuais. A mandante dos crimes teria sido identificada como Juliana.
Segundo as investigações, a suspeita fazia as vítimas trabalharem no local sob ameaças psicológica e de morte. As vítimas contaram aos agentes que Juliana oferecia casa e abrigo para mulheres trans de outros estados, com a promessa de uma vida melhor. Ao chegarem no local, elas tinham os documentos recolhidos e eram mantidas em cárcere privado, em condição análoga à escravidão.
De acordo com as vítimas, as mulheres que manifestavam o desejo de sair daquela situação eram agredidas com socos, facadas e puxões de cabelo. Durante a operação, as mulheres foram encontradas trancadas no local, sem as chaves. Entre elas, estava uma adolescente de 14 anos. Juliana segue em prisão temporária, aguardando a conclusão do inquérito.
*Sob supervisão de Fausto Carneiro.













