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PF tem 60 dias para apresentar relatório sobre objetos apreendidos em operação na casa de Bolsonaro 

O sigilo da decisão foi retirada na tarde desta quarta-feira (3), horas depois de a PF que apreender o celular do ex-presidente

Brasília|Gabriela Coelho, do R7, em Brasília

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Alexandre de Moraes deu prazo para PF emitir relatório
Alexandre de Moraes deu prazo para PF emitir relatório

Em decisão que ordenou nesta quarta-feira (3) a prisão do ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o tenente-coronel Mauro Cid, além do mandado de busca e apreensão na casa de Bolsonaro, o ministro do STF Alexandre de Moraes determinou que a Polícia Federal tem 60 dias para apresentar relatório sobre os objetos apreendidos durante a operação. 

A operação investiga a atuação de uma associação criminosa que supostamente inseria dados falsos de vacinação contra a Covid-19 nos sistemas do Ministério da Saúde e faz parte do inquérito das "milícias digitais", que já tramita no Supremo Tribunal Federal (STF).


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O sigilo da decisão foi retirado na tarde desta quarta-feira, horas depois da operação da PF. Na mesma decisão, o ministro negou pedido para apreender o celular da ex-primeira-dama e presidente do PL mulher, Michelle Bolsonaro, mas aceitou a apreensão do celular de Bolsonaro. 

Pelas redes sociais, Michelle disse não saber o motivo da operação, confirmou que apenas ela havia se vacinado e negou que a PF tivesse apreendido o seu celular. "Apenas o celular do meu marido foi apreendido", declarou.


Ao todo, os agentes cumpriram 16 mandados de busca e apreensão e seis mandados de prisão preventiva, em Brasília e no Rio de Janeiro. Entre os presos na ação estão dois ex-assessores especiais do ex-presidente Sérgio Cordeiro e Max Guilherme.

Além de suposta fraude no certificado de vacinação do ex-presidente Jair Bolsonaro, a PF investiga adulterações nos documentos da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, da filha mais nova do casal, Laura, do deputado federal Guttemberg Reis (MDB-RJ), do tenente-coronel Mauro Cid e da filha dele.


Durante a operação, a Polícia Federal apreendeu US$ 35 mil e R$ 16 mil em espécie na casa do tenente-coronel Mauro Cid. A moeda americana, convertida, vale o montante de R$ 175 mil. O dinheiro estava em um cofre na residência do militar. A informação foi confirmada pelo R7.

Em 2020, Bolsonaro disse que 'jamais' teria seu telefone apreendido

Em maio de 2020, o então presidente, Jair Bolsonaro, afirmou que nunca teria seu celular apreendido, após o ministro do Supremo Tribunal Federal Celso de Mello ter consultado a Procuradoria-Geral da República sobre a possibilidade de confiscar o aparelho para apurar as possíveis interferências relatadas pelo ex-ministro Sergio Moro na Polícia Federal.

"Jamais pegarão meu telefone", disse o ex-presidente em entrevista à Jovem Pan. "Só se fosse um rato para entregar meu telefone”, declarou.

Bolsonaro foi investigado por uma susposta interferência na Polícia Federal em 2020. O inquérito foi aberto após o atual senador Sergio Moro (União-PR), que na época deixava o cargo de ministro da Justiça, ter afirmado que o presidente havia dito em uma reunião que interferiria na superintendência da corporação no Rio de Janeiro. O ato, de acordo com as acusações, ocorreria para que o chefe do Executivo protegesse amigos e parentes no estado.

Na época, o ministro do STF, Celso de Mello, enviou à PGR um pedido para a apreensão dos celulares de Bolsonaro e do filho Carlos Bolsonaro, vereador do Rio de Janeiro. O general Augusto Heleno, que ocupava o cargo de chefe do Gabinete de Segurança Institucional, afirmou em nota que o pedido de apreensão do celular do presidente era "inconcebível" e, até certo ponto, "inacreditável". A Polícia Federal concluiu que o ex-presidente não interferiu na corporação.

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