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Polícia Federal abre 85 inquéritos para investigar incêndios florestais criminosos

Investigações fazem parte de projeto integrado com outras esferas, como o Executivo e Judiciário, para combater as chamas

Brasília|Rafaela Soares, do R7, e Natáilia Martins, da Record, em Brasília

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Inquéritos foram abertos entre 2023 e este ano Mayangdi Inzaulgarat/Ibama/Arquivo

A Polícia Federal (PF) abriu 85 inquéritos para investigar incêndios florestais supostamente criminosos em todo o país. Segundo uma fonte da corporação, os episódios investigados ocorreram entre 2023 e 2024 e, para os investigadores, há fortes indícios de que houve uma ação coordenada por organizações envolvidas no garimpo ilegal e no desmatamento. A corporação cumpriu sete mandados de busca e apreensão nesta sexta-feira (20) em endereços de suspeitos de iniciarem as chamas na região de Corumbá (MS).

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Segundo as investigações, a perícia identificou prejuízos superiores a R$ 220 milhões na exploração da área pelo grupo investigado. A ocupação irregular abrange 6.419,72 hectares e vem sendo utilizada para exploração econômica por meio da pecuária, diz a PF. De acordo com a corporação, a área queimada é alvo reiterado deste tipo de crime ambiental e de grilagem, com a realização de fraudes junto aos órgãos governamentais.

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default Divulgação/Polícia Federal - 20.9.2024

“As buscas realizadas na região apontam para a existência de pelo menos 2.100 cabeças de gado na área da União, mas estima-se que a criação total de animais durante o período investigado ultrapasse 7.200″, afirma a corporação.

Incêndios florestais

A Coalizão Brasil, Clima, Florestas e Agricultura, com base em dados do Programa Queimadas do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), informou que dez municípios das Regiões Norte e Centro-Oeste concentram 20,5% das queimadas que atingem o Brasil desde o início do ano. Segundo o comunicado, esses municípios estão localizados no Amazonas, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará e Rondônia. Juntos, eles registram 39.247 pontos de incêndio dos 190.943 focos detectados no país entre 1º de janeiro e 18 de setembro.

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O município com mais focos de incêndio é São Félix do Xingu, no Pará, com 6.474. Em segundo lugar está Altamira, também no Pará, com 5.250. Na sequência estão Corumbá, em Mato Grosso do Sul, e Novo Progresso, no Pará, com 4.736 e 4.598 pontos, respectivamente. Apuí, no Amazonas, tem 4.308; Lábrea, também no Amazonas, 3.723; Itaituba, no Pará, 2.973; Porto Velho, em Rondônia, 2.710; Colniza, em Mato Grosso, 2.277; e Novo Aripuanã, no Amazonas, 2.198 focos de incêndio.

O membro do Grupo Estratégico da Coalizão, Beto Mesquita, destaca que nove desses municípios estão na Amazônia, com a exceção de Corumbá, porta de entrada para o Pantanal sul-mato-grossense. “Por mais que tenham ocorrido muitos incêndios no Cerrado, quando percebemos os focos de calor, notamos que eles continuam muito concentrados na Amazônia”, alerta Mesquita.

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Ele acrescenta que os incêndios são novos vetores de destruição, “talvez tentando escapar dos sensores remotos que detectam o desmatamento”. “Com isso, ao se abrirem áreas, há maior dificuldade em detectar a extração de madeiras de valor mais nobre. É um desafio para os governos federal e estaduais, que precisam entender melhor essas dinâmicas para se prepararem com as estratégias mais adequadas de combate, fiscalização e preservação.”

Outras Ações

Essas investigações fazem parte de um esforço entre o governo e outras esferas, como a Justiça, para combater as chamas no território brasileiro. Nesta quinta-feira (19), os governadores dos estados mais impactados pelas queimadas se reuniram com ministros no Palácio do Planalto. O encontro discutiu medidas de combate aos incêndios, incluindo a liberação já anunciada de R$ 514 milhões para o combate ao fogo e aos efeitos da seca. A reunião foi conduzida pelo ministro da Casa Civil, Rui Costa.

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No mesmo dia, o ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), defendeu a abertura de crédito extraordinário para o combate às queimadas, afirmando que é necessário “evitar o fim do mundo” e que nunca viu na história dos povos alguém “parar uma guerra” por teto fiscal.

A declaração foi feita em audiência com governadores dos estados que fazem parte da Amazônia e do Pantanal. O ministro se mostrou surpreso com as críticas sobre o crédito extraordinário.

“Fiquei muito espantado que, nos últimos dias, parece que eu que inventei o crédito extraordinário. Quem inventou foi a Constituição em 1988, no artigo 167, parágrafo terceiro. E há outra falácia quanto ao alcance de metas fiscais derivadas do crédito extraordinário. Convido a uma reflexão coletiva, porque, quando analisamos a Constituição, estamos tratando de créditos extraordinários visando a atender situações de guerra e calamidade pública. Eu nunca vi na história dos povos alguém parar uma guerra por teto fiscal. Ninguém conhece. E quando se trata de evitar a invasão da nossa cidade, estamos tentando evitar o fim do mundo”, disse.

Segundo Dino, é certo que, se não houver uma reversão dos fluxos atualmente estabelecidos, o Pantanal, a Amazônia e todo o país estarão fortemente ameaçados.

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