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Quem é Alexandre Ramagem, delegado da PF e ex-deputado federal preso pelo ICE nos EUA

Condenado a 16 anos de prisão na ação da trama golpista, Ramagem teve o mandato cassado pela Câmara em dezembro de 2025

Brasília|Do Estadão Conteúdo

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Alexandre Ramagem, ex-deputado e ex-diretor da Abin, foi preso nos EUA pelo ICE.
  • Seu mandato na Câmara foi cassado em 18 de dezembro de 2025, coincidindo com a perda de mandato de Eduardo Bolsonaro.
  • Ramagem foi condenado a 16 anos e 1 mês de reclusão e está sob investigação por uso ilegal da Abin para monitorar autoridades.
  • Defesa de Ramagem tenta reduzir pena, alegando que sua participação foi de "menor importância" na trama golpista.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Alexandre Ramagem comandou a Abin na gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro Fellipe Sampaio/STF - Arquivo

O ex-deputado federal e ex-diretor da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) Alexandre Ramagem foi detido nos Estados Unidos nesta segunda-feira (13) pelo ICE (Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos EUA), de acordo com informações recebidas pela Polícia Federal brasileira.

Delegado da Polícia Federal e político brasileiro, o parlamentar deixou o Brasil apesar de estar condenado a 16 anos e 1 mês de reclusão por participação na trama golpista e proibido de sair do país.

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No final de janeiro, o Ministério da Justiça e da Segurança Pública informou ao STF que o pedido de extradição do ex-deputado federal havia sido entregue ao governo dos Estados Unidos em 30 de dezembro de 2025.

O político teve o mandato cassado em 18 de dezembro do ano passado, no mesmo dia em que a Câmara dos Deputados também declarou a perda do mandato de Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.

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À época, pelas redes sociais, Ramagem afirmou que a decisão foi resultado de uma “canetada” e acusou o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), de atuar como “subordinado de um ministro ditador”, em referência a Alexandre de Moraes.

Ascensão e queda

Alexandre Ramagem Rodrigues é ex-delegado da Polícia Federal e aliado histórico do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A relação se consolidou na campanha de 2018, quando Ramagem foi designado para chefiar a segurança pessoal de Bolsonaro após o ex-presidente ser esfaqueado em Juiz de Fora (MG).

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No início de 2019, já no governo Bolsonaro, Ramagem foi nomeado superintendente da PF no Ceará, mas deixou o cargo para ingressar na política. Passou um período como assessor no Palácio do Planalto e, em junho daquele ano, foi escolhido para chefiar a Abin.

Na posse, Bolsonaro destacou a proximidade dos dois, dizendo que “grande parte do destino da nação” passaria pelas mãos de Ramagem. Ele foi eleito deputado federal em 2022, com 59.170 votos.

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Em outubro de 2023, Ramagem foi alvo de operação da PF no gabinete e no apartamento funcional. A corporação investigou o uso ilegal da Abin para monitorar ministros do STF, políticos, jornalistas e advogados, por meio da ferramenta FirstMile. Segundo a PF, a Abin teria realizado 33 mil rastreamentos ilegais, incluindo o monitoramento de Alexandre de Moraes.

A operação “Vigilância Aproximada”, desdobramento da “Primeira Milha”, cumpriu 21 mandados de busca e levou à prisão de dois servidores da Abin. Nas redes, Ramagem atribuiu a investigação a uma suposta “austeridade” implementada na gestão Bolsonaro.

Condenação no STF

Ramagem foi condenado pelo STF por organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado democrático de Direito e golpe de Estado, recebendo pena de 16 anos, 1 mês e 15 dias em regime fechado, além de perder o mandato.

O Supremo suspendeu a análise de crimes relacionados ao 8 de Janeiro, como dano qualificado ao patrimônio da União, porque teriam ocorrido após sua diplomação como deputado.

A defesa tentou reduzir a pena, alegando participação de “menor importância” na trama golpista. Os advogados também pediram a suspensão da condenação por organização criminosa, argumentando que o crime teria natureza permanente e ocorria mesmo após ele receber o diploma de deputado — o que impactaria a competência do juízo. Além disso, os defensores questionam a omissão do STF ao determinar a perda automática do cargo de delegado da PF.

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