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Relatora da CPMI quer apurar se há relação entre vendas de joias dadas a Bolsonaro e financiadores do 8/1

Há a possibilidade de pedir a convocação do pai de Mauro Cid, o general Mauro César Lourena Cid, e outros alvos da operação da PF

Brasília|Bruna Lima, do R7, em Brasília

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Eliziane quer investigar envolvidos em venda ilegal de joias
Eliziane quer investigar envolvidos em venda ilegal de joias

A relatora da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do 8 de Janeiro, a senadora Eliziane Gama (PSD-MA), quer investigar se há relação entre os envolvidos no esquema das vendas ilegais das joias dadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro e os financiadores dos atos extremistas do 8 de Janeiro. Há, ainda, a possibilidade de convocar alvos da operação da Polícia Federal realizada nesta sexta-feira (11) com o objetivo de combater crimes de peculato e lavagem de dinheiro ligados ao caso das joias. 

"O mandado de busca e apreensão da Polícia Federal nos traz a necessidade de apurar se existe uma relação entre a venda fraudulenta de produtos luxuosos por agentes públicos e os financiadores dos atos do 8 de Janeiro", afirma Eliziane. Ela também avalia entrar com pedidos para "convocar pessoas atingidas por esse mandado". Cabe aos membros da CPMI aprovar a convocação dos alvos. 


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A PF cumpre nesta sexta-feira quatro mandados de busca e apreensão em uma operação de combate a crimes de peculato e lavagem de dinheiro ligados ao caso das joias. A corporação cumpre um mandado em Niterói (RJ), um em São Paulo e dois em Brasília, autorizados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no âmbito do inquérito que investiga as ações das chamadas milícias digitais.

General Mauro Cid é um dos alvos da Polícia Federal
General Mauro Cid é um dos alvos da Polícia Federal

O general Mauro César Lourena Cid, pai de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, é um dos alvos da operação — além do tenente do Exército Osmar Crivelatti e do ex-advogado da família Bolsonaro Frederick Wassef.


Os investigados são suspeitos de ter vendido joias e presentes oficiais recebidos pelo ex-presidente. De acordo com a PF, eles teriam utilizado "a estrutura do Estado brasileiro para desviar bens de alto valor patrimonial, entregues por autoridades estrangeiras em missões oficiais a representantes do Estado, por meio da venda desses itens no exterior".

As quantias obtidas com essas operações, ainda segundo a investigação, "ingressaram no patrimônio pessoal dos investigados, por meio de pessoas interpostas e sem utilizar o sistema bancário formal, com o objetivo de ocultar a origem, a localização e a propriedade dos valores".


Emails em posse da CPMI mostram que o ex-ajudante de ordens de Bolsonaro tentou vender um relógio da marca Rolex recebido em uma viagem oficial do ex-presidente Jair Bolsonaro à Arábia Saudita.

Pais de Mauro Cid movimentaram cerca de R$ 2,5 milhões

Um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) que chegou à CPMI do 8 de Janeiro informa que os pais do tenente-coronel do Exército Mauro Cid movimentaram cerca de R$ 2,5 milhões em transações atípicas em um período de 15 meses. Cid está preso desde maio, por suspeita de fraude em cartões de vacinação.

O relatório, que está sob sigilo, diz ainda que Agnes Barbosa Cid e Mauro Cesar Lourena Cid fizeram o envio atípico de valores para o exterior. Com isso, a CPMI pediu a quebra do sigilo bancário, fiscal e de inteligência financeira do casal, com a disponibilização de extratos e detalhes das movimentações.

Relógio vendido nos EUA foi recomprado por ex-advogado de Bolsonaro para ser entregue ao TCU

Wassef foi aos EUA para comprar o Rolex de volta
Wassef foi aos EUA para comprar o Rolex de volta

O advogado Frederick Wassef, que atuava na defesa de Jair Bolsonaro (PL) quando ele estava na Presidência da República, foi aos Estados Unidos recomprar um relógio Rolex vendido no país para entregar o artigo de luxo ao Tribunal de Contas da União (TCU). A movimentação se deu depois que o órgão entendeu que o presente recebido não pertence à autoridade que exercia o cargo, mas à União.

As investigações mostram que, para recuperar o relógio, foi necessário desembolsar um valor superior ao da venda.

Segundo foi apurado, o general Mauro Lourena Cid estava no esquema de vendas e era o responsável por negociar as joias e outros bens recebidos por Bolsonaro. Ele ocupava um cargo ligado à Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex) durante a gestão Bolsonaro. Lourena Cid foi colega do ex-presidente na Academia Militar das Agulhas Negras, em Resende (RJ), na década de 70.

Foi em uma conta vinculada ao general que o valor de US$ 68 mil foi depositado. Em consulta ao site do Banco Central, esse valor correspondia, na data do pagamento, ao montante de R$ 346.983,60.

O Rolex recuperado por Wassef em 14 de março de 2023 pertencia a um conjunto de joias chamado pela PF de "Kit Ouro Branco". Nele também havia um anel, abotoaduras e um rosário islâmico. O restante dos itens só foi recuperado por Mauro Cid em 27 de março, quando ele embarcou para os Estados Unidos em uma viagem "bate e volta".

No dia 4 de abril de 2023, o kit, já completo, foi entregue à Caixa Econômica Federal. Na decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para autorizar as buscas e apreensões, o magistrado ressaltou que "há robustos elementos de prova no sentido de que os bens extraviados, provavelmente com o uso do avião presidencial, foram objeto de verdadeira operação de resgate, com objetivo de esconder o fato de que haviam sido alienados".

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