Sem recurso para tecnologia ou servidores, BC admite risco à fiscalização do sistema financeiro
Presidente do BC, Gabriel Galípolo também alerta que a legislação do Brasil é defasada em comparação às normas de outros países
Brasília|Giovana Cardoso, do R7, em Brasília
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Em meio ao escândalo do Banco Master e à cobrança por maior fiscalização, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, disse nesta terça-feira (19) que a autoridade monetária não tem recursos para contratar tecnologia adequada ou aumentar o número de servidores. Segundo ele, o desfalque pode afetar a supervisão de determinadas questões.
“O mundo se assusta ao ver que o Banco Central, que fez uma das inovações que é um conforto para a sociedade, mas é quase um soft power brasileiro, que é o Pix, não tem recursos para contratar tecnologia adequada para isso[...] Certas coisas a gente não vai conseguir fiscalizar como devia porque não tem recurso ou capital humano para a gente fazer”, admitiu.
Na fala, feita durante uma audiência da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, Galípolo reforçou a necessidade de recursos para recompor e remunerar servidores que trabalham durante a madrugada e aos finais de semana. “O que vai começar a acontecer é o Banco Central, ciente de que o cobertor é curto, a gente vai ter que escolher o que a gente cobre e o que a gente não cobre. A gente vai ter que começar a fazer uma gestão de riscos”, completou.
Nos últimos 10 anos, o Banco Central perdeu ao menos 1,3 mil servidores e outros 100, que trabalham na área da supervisão, estão perto de se aposentar.
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Ao comentar sobre a complexidade da situação, Galípolo afirmou que a legislação do Brasil é defasada em comparação às regras de outros países e que o sistema brasileiro é mais complexo, porém, com menos recursos. Outra questão que afeta a autoridade monetária é a divisão do orçamento.
“Aqui no Brasil, a gente criou essa coisa muito particular, que foi deixar o orçamento monetário e escolher um pedaço do orçamento do Banco Central que vem para o orçamento fiscal. Eu sou a única instituição que tem dois balanços, totalmente invertidos. Então, quando eu faço um tipo de contratação para fazer inovação ou comprar algum tipo de nova tecnologia, ele entra no orçamento fiscal. Se eu faço manutenção, ele entra no orçamento monetário”, explicou.
Segundo o chefe da autoridade monetária, a tecnologia é necessária para o andamento do banco, mas, principalmente, para questões de supervisão. Ele aponta que é preciso criar o próprio sistema baseado em inteligência artificial, assim como ocorre em outros países.
Caso Master
Na ocasião, Galípolo comentou também sobre o afastamento dos servidores envolvidos no esquema de fraude do Banco Master. Para o presidente, o ocorrido foi um dos “mais graves que já aconteceram na história do Banco Central”.
Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana são suspeitos de fornecer orientações estratégicas sobre processos administrativos e prestar consultoria ao Master.
Segundo as investigações, Paulo Sérgio prestava consultoria informal e contínua a Vorcaro, fornecendo orientações estratégicas sobre a atuação do Banco Central em processos administrativos envolvendo o Banco Master, inclusive sugerindo abordagens e argumentos a serem utilizados em reuniões com dirigentes da autarquia reguladora.
Já Belline Santana prestava consultoria estratégica a Vorcaro, discutindo temas relacionados à situação regulatória do Master, fornecendo orientações acerca da condução de processos administrativos e participando de tratativas voltadas à definição de estratégias institucionais do banco em relação ao Banco Central.
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