Flávio Bolsonaro aciona TSE após queda em pesquisa eleitoral, e instituto rebate acusações
Coordenação jurídica de pré-campanha acusou AtlasIntel de ‘manipular’ resultado, por apresentar áudio de senador a Vorcaro
Brasília|Jéssica Eufrásio, do R7, em Brasília
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Após a queda nas intenções de voto de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no segundo turno, como mostrou pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada nesta terça-feira (19), a coordenação jurídica da pré-campanha do senador questionou o levantamento, por meio de uma representação no (Tribunal Superior Eleitoral).
A ação critica a metodologia adotada na pesquisa e afirma que o questionário teria “sido estruturado de forma a induzir gravemente uma percepção negativa sobre Flávio Bolsonaro”.
“A sequência das perguntas, a forma de apresentação dos temas e o uso de associações entre o pré-candidato, Daniel Vorcaro e o Banco Master contaminam e induzem as respostas dos entrevistados, comprometendo a integridade dos resultados”, justificou a coordenação jurídica.
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Para a coordenação jurídica da pré-campanha do senador, a pesquisa revelou um “precedente manipulativo grave e deixou de observar a neutralidade esperada em levantamentos eleitorais destinados à divulgação pública”. O pedido ao TSE afirma, ainda, que o levantamento não só “mediu a opinião dos eleitores, mas apresentou estímulos capazes de influenciar a percepção do entrevistado antes de perguntas sobre imagem, rejeição e viabilidade eleitoral”.
A representação também pede a apuração de possível “prática de crime eleitoral, diante da gravidade dos vícios apontados e do risco de divulgação de pesquisa considerada fraudulenta pela defesa”. O processo foi protocolado no TSE como representação sobre “divulgação de pesquisa eleitoral fraudulenta” e pede, inclusive, a suspensão da divulgação dos resultados.
‘Rigor técnico e metodológico’
Por meio de nota, o instituto AtlasIntel informou que soube da representação judicial por meio da imprensa, que não havia sido notificado oficialmente até a mais recente atualização desta reportagem e que “manifesta plena tranquilidade diante de qualquer questionamento”.
“[A AtlasIntel] está inteiramente preparada para responder com o rigor técnico e metodológico que caracteriza seu trabalho no Brasil e no exterior. A empresa colaborará com o TSE em tudo que for necessário e confia na análise imparcial das autoridades eleitorais competentes”, destacou.
O instituto também pontuou, em relação às acusações:
- “O teste de áudio e o questionário de pesquisa são instrumentos completamente distintos, realizados em momentos e interfaces separados. O teste de áudio foi aplicado exclusivamente após a conclusão e submissão do questionário pelo respondente. Nenhum entrevistado teve acesso ao conteúdo do áudio antes ou durante o preenchimento da pesquisa, tampouco pôde alterar respostas após a submissão. Não há, portanto, qualquer mecanismo de contaminação entre os dois instrumentos, e os resultados da pesquisa não sofreram nenhum tipo de interferência.”
- “Durante o questionário, em nenhum momento o conteúdo do áudio foi reproduzido. Foram feitas perguntas para verificar o conhecimento prévio do respondente sobre o caso e se ele havia ouvido o áudio por conta própria — o que constitui prática metodológica padrão e legítima para mensurar o nível de exposição espontânea do eleitorado a determinado tema. O teste de áudio tem finalidade analítica distinta: medir, segundo a segundo, a reação de uma amostra representativa da população a conteúdos audiovisuais, com segmentação demográfica — metodologia amplamente usada em pesquisas de comunicação e opinião pública em todo o mundo."
- “Todo o desenho do questionário e da dinâmica de pesquisa foi conduzido com o rigor técnico e metodológico que distingue o trabalho da AtlasIntel, sempre orientado pelos princípios de imparcialidade, transparência e qualidade dos dados.”
O instituto acrescentou que “tentativas de desqualificar pesquisas por vias jurídicas, sem que haja fundamento técnico demonstrável, representam um risco ao debate público informado e à liberdade de imprensa”.
Intenções de voto caíram seis pontos
As intenções de voto para o senador Flávio Bolsonaro registraram queda para um eventual segundo turno, enquanto as do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tiveram leve alta, segundo a pesquisa. O levantamento ouviu eleitores brasileiros após a revelação de conversas do parlamentar com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master.
Na pesquisa anterior do instituto, divulgada em abril, Flávio tinha 6 pontos percentuais a mais e estava tecnicamente empatado com Lula no segundo turno. Na nova edição, porém, o atual presidente da República aparece com 48,9% das intenções de voto, contra 41,8% do senador.
A pesquisa também verificou o nível de aprovação e desaprovação dos pré-candidatos. Enquanto 52% dos entrevistados responderam que “não votariam de jeito nenhum” em Flávio Bolsonaro, 50,6% afirmaram o mesmo sobre Lula.
A pesquisa está registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o código BR-06939/2026. O levantamento ouviu 5.032 pessoas, por meio de recrutamento digital aleatório, entre quarta (13) e segunda-feira (18). A margem de erro é de 1 ponto percentual, para mais ou para menos, e o nível de confiança, de 95%.
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