Técnica de enfermagem diz ter sido agredida por senador em hospital de Brasília
Em nota, a unidade hospitalar informou que está investigando o ocorrido e que vem dando suporte à colaboradora
Brasília|Bruna Pauxis, do R7, em Brasília

Um técnica de enfermagem do Hospital DF Star, em Brasília, teria dito ter sido agredida pelo senador Magno Malta (PL-ES) durante um atendimento na noite de quinta-feira (30).
Em BO (Boletim de Ocorrência) registrado na Polícia Civil do Distrito Federal, a funcionária relatou que levou Malta até a sala de exame, onde fez o teste com o soro para o acesso intravenoso no braço do senador. De acordo com ela, após o início do exame, informou ao senador que seria feita a injeção de contraste, porém, ao iniciar a etapa do procedimento, a bomba identificou que havia um bloqueio e pressão.
Ainda segundo o boletim, a técnica teria se aproximado do parlamentar e dito a ele que precisaria fazer uma compressão em seu braço. Nesse momento, de acordo com o relatado para a PCDF, Malta teria deferido um “tapa forte” no rosto da mulher, golpe que chegou a “entortar seus óculos”.
A funcionária relatou, no boletim, que chegou a ser chamada de “imunda” e de “incompetente” e que está com medo de encontrar o senador após o ocorrido.
Em nota, a unidade hospitalar afirmou que iniciou uma apuração administrativa para verificar a situação o e informou que está dando suporte à colabora que relatou ter sido agredida pelo parlamentar.
“O Hospital DF Star informa que iniciou uma apuração administrativa sobre o fato ocorrido na noite de quinta-feira e que vem dando todo o suporte à colaboradora que relatou ter sido vítima de agressão. A unidade também reitera que está à disposição para prestar todos os esclarecimentos necessários às autoridades envolvidas na investigação do episódio”, escreveu.
Malta está internado desde quinta-feira no local, após ter passado mal a caminho do Congresso Nacional. “Fiquei tonto e apaguei”, relatou Malta em um vídeo na sua conta no Instagram.
Senador nega ocorrido
Em vídeo publicado neste sábado em suas redes sociais, Malta negou ter agredido técnica de enfermagem.
“Aqui o atingido fui eu. A vítima fui eu. Eu que tive o braço prestes a ter uma trombose”, afirmou o parlamentar, que contou que a profissional teria inserido a agulha de forma incorreta em seu braço durante uma tomografia, fazendo com que a medicação circulasse fora do vaso sanguíneo.
“O catéter foi colocado fora da veia e todo o medicamento, inclusive o contraste caiu todo dentro do meu braço, fora da veia. Eu comecei a sentir dores, a dizer ‘tá ardendo! tá doendo! esse catéter está errado’. Até que quando colocou o contraste eu não aguentei”, contou Malta, que disse ter saído do exame.
Confira o vídeo publicado pelo senador
A defesa do senador também se pronunciou, afirmando que avalia propor ação indenizatória por danos morais contra a técnica e fazer uma representação junto ao Conselho Regional de Enfermagem do Distrito Federal.
“No curso dos procedimentos diagnósticos em andamento, a responsável pelo exame de angiotomografia administrou o contraste de forma tecnicamente incorreta, gerando extravasamento do líquido no braço direito do Senador, com formação de trombose e expressivo hematoma”, detalha o documento.
“O Senador, sob forte medicação, com a cognição afetada pelo quadro clínico instalado e sentindo dores intensas, reagiu ao sofrimento físico e não a pessoa da técnica, acionando imediatamente o médico responsável pelo acompanhamento”, completa.
Os advogados de Malta argumentaram, ainda, que “não é incomum em situações de erro médico hospitalar de tal magnitude”, especialmente “quando o paciente é figura pública”, que o profissional envolvido “antecipe uma narrativa inversa”. visando, de acordo com o texto, deslocar o foco da falha técnica para uma “suposta agressividade da vítima”.
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