Cidades Caso Miguel completa seis meses na véspera da 1ª audiência judicial

Caso Miguel completa seis meses na véspera da 1ª audiência judicial

Sarí Corte Real, ré por abandono de incapaz, começará sua defesa no processo a partir desta quinta-feira (3). Ela pode pegar 12 anos de prisão

  • Cidades | Gabriel Croquer*, do R7

Mirtes Renata, mãe de Miguel Santana da Silva

Mirtes Renata, mãe de Miguel Santana da Silva

JULIO GOMES/LEIAJÁIMAGENS/ESTADÃO CONTEÚDO

Na manhã do dia 2 de junho de 2020, morria o menino Miguel Otávio Santana da Silva, de cinco anos, após cair do alto do 9° andar de um prédio de luxo em Recife (PE). A mãe dele, Mirtes Renata, trabalhava no local como empregada doméstica no apartamento do ex-prefeito de Tamandaré, João Sérgio Hacker Corte Real e de sua esposa, Sarí Gaspar Corte Real.

Leia mais: Após protestos por morte de Miguel, patroa pede perdão em carta

Sarí, ré por abandono de incapaz, iniciará sua defesa no processo que terá sua primeira sessão nesta quinta-feira (3), às 9h, um dia após a tragédia completar seis meses. Ela foi denunciada pelo MP-PE (Ministério Público de Pernambuco) com agravantes por cometimento de crime contra criança e em ocasião de calamidade pública (pandemia do novo coronavírus).

Após perder seu único filho, a mãe de Miguel, Mirtes Renata, tem se pronunciado nas redes sociais constantemente para pedir punição a Sarí Corte Real, que considera culpada pelo episódio, e também por mais rapidez no processo. 

Nas postagens, a mãe também declara a dor e a saudade que sente de seu único filho. "A dor da sua ausência está ficando insuportável, não sei até quando vou aguentar viver sem você", escreveu em publicação no dia 9 de novembro.

Pouco tempo depois, no dia 17 de novembro, data que marcou seis anos do nascimento de Miguel, a mãe lamentou o primeiro aniversário que passou sem o filho. "O que me restou foi as lembranças boas e rezar por você a oração que mamãe te ensinou e você rezava antes de dormir", escreveu. 

O caso

Pouco depois da tragédia, imagens do elevador do prédio mostraram Sarí Real junto de Miguel no elevador do prédio. O menino quis acompanhar a mãe que, a pedido da patroa, estava passeando com o cachorro da família.

Depois de convencer Miguel a sair do elevador quatro vezes, a primeira-dama desiste de acompanhar o garoto. Ela então parece apertar o botão do elevador, deixando que a porta se fechasse com o garoto, sozinho, dentro. De acordo com as investigações da Polícia Civil de Pernambuco, Sarí então voltou ao apartamento, para continuar seu tratamento com uma manicure.

Ao chegar ao nono andar, Guilherme abriu a porta corta-fogo do andar e seguiu pelo corredor. Ele pulou o peitoril da janela, colocou os dois pés na caixa de compressores e, já na área técnica, subiu na grade, momento em que uma peça se soltou e o menino caiu.

Sarí chegou a ser presa preventivamente um dia depois da morte, mas pagou fiança de R$20 mil, para responder ao processo em liberdade. A investigação prosseguiu, sendo finalizada no dia 1º de julho, quando a polícia optou por indiciar a ex-primeira dama por abandono de incapaz. O crime, previsto no artigo 133 do Decreto Lei nº 2.848, prevê de 4 a 12 anos de prisão. 

Além disso, o casal é alvo de ação trabalhista, ajuizada em 15 de julho, que já bloqueou R$ 2 milhões em imóveis, ativos financeiros, participações em sociedades, títulos da dívida pública e demais títulos negociáveis em bolsas de valores da dupla.

Os procuradores do MPT (Ministério Público do Trabalho) alegaram violações trabalhistas ligadas ao serviço prestado pela mãe e pela avó de Miguel, Mirtes e Marte Souza, na residência do casal. Entre as irregularidades, estaria a ausência do contrato de trabalho doméstico.

A relação de trabalho entre Mirtes e o casal também foi investigada porque, na época da tragédia, a doméstica estava registrada como servidora da prefeitura de Tamandaré, com uma remuneração de um salário minímo. 

*Estagiário do R7, sob supervisão de Clarice Sá

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