Operação interestadual desarticula esquema bilionário de bets e lavagem de dinheiro
Justiça determinou bloqueio superior a R$ 3,4 bilhões em bens. Força-tarefa com 200 policiais civis ocorre no DF e em 5 estados
Cidades|Bruna Pauxis, do R7, em Brasília
LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA
Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

A PCDF (Polícia Civil do Distrito Federal), deflagrou na manhã desta quinta-feira (5) a Operação Azzardo. A ação mira um esquema bilionário de exploração de apostas ilegais e lavagem de dinheiro com a aplicação de severas medidas de bloqueio patrimonial.
As investigações começaram há cinco meses, a partir de alertas da SPA (Secretaria de Prêmios e Apostas), do Ministério da Fazenda, que identificou plataformas de apostas de quota fixa — as bets —, que operavam sem autorização federal.
Leia Mais
O principal alvo da operação é uma fintech sediada em São Paulo, autorizada pelo Banco Central a atuar como Sociedade de Crédito Direto e que não teve o nome divulgado. Os investigadores descobriram que cobranças via Pix feitas por meio de sites ilegais eram direcionadas a contas mantidas nessa instituição.
A organização criminosa usava dezenas de empresas de fachada para arrecadar valores, concentrá-los e redistribuí-los entre pessoas físicas, jurídicas e criptoativos.

Em julho último, o Banco Central havia manifestado a intenção de cancelar a autorização de atividade da fintech. Só as movimentações financeiras ligadas a ela e a outras empresas do mesmo grupo somam cerca de R$ 1 bilhão.
No Distrito Federal, uma análise financeira apontou a movimentação de R$ 739 milhões por meio de estruturas fictícias.
Entenda como funcionava o esquema no Distrito Federal:
- Pagamentos via Pix eram destinados a endereços registrados como uma loja de tarô e uma clínica de assistência psicossocial, na região de Sobradinho.
- Empresas abertas neste ano compartilhavam o mesmo capital social e tinham como sede imóveis vazios.
- Em um lote residencial em Ceilândia, 10 empresas diferentes estavam registradas com o mesmo número de telefone.
A apuração também alcançou três empresas detentoras de licenças das loterias estaduais da Paraíba e do Rio de Janeiro. Essas firmas apresentavam trocas constantes de sócios e teriam feito repasses de valores vinculados a crimes de estelionato.
A PCDF destacou que nenhuma dessas empresas tinha autorização para operar os sites investigados e que as licenças estaduais delas perderam a validade com a publicação da Medida Provisória nº 1.394/2026, que pôs fim às bets no país.
Medidas cautelares
A Justiça ordenou o bloqueio de R$ 3,483 bilhões em contas e bens de 64 pessoas físicas e 120 jurídicas. A restrição atinge exclusivamente recursos próprios dos negócios investigados e não afeta valores depositados por clientes que não estejam entre os suspeitos.
O Judiciário determinou, ainda, o cancelamento dos registros comerciais de 100 empresas e de empresários individuais. Os investigados estão impedidos de criar novas contas por até 90 dias, e 165 deles tiveram os sigilos bancários quebrados.
A Operação Azzardo mobiliza cerca de 200 policiais civis do Distrito Federal, de São Paulo, de Goiás, do Paraná, do Ceará e do Rio Grande do Norte.
- No Distrito Federal, foram cumpridos 24 mandados de busca e apreensão, em diversas regiões administrativas;
- Em São Paulo, ocorreram diligências em polos financeiros da cidade, como a Avenida Brigadeiro Faria Lima e os bairro de Pinheiros e da Vila Olímpia.
- Em Goiás, policiais cumpriram mandados em Goiânia, Planaltina e Valparaíso — estas duas últimas, no Entorno do DF.
Os suspeitos são investigados pelos delitos de exploração de loteria não autorizada, estelionato mediante fraude eletrônica, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e organização criminosa. Somadas, as penas por esses crimes podem levar a até 33 anos de reclusão.
Fique por dentro das principais notícias do dia no Brasil e no mundo. Siga o canal do R7, o portal de notícias da RECORD, no WhatsApp











