2015: o ano em que a Unimed Paulistana foi para a UTI
Segundo associação, quebra de plano de saúde gera crise de confiança no setor
Economia|Fernando Mellis, do R7

Visto como uma segurança em caso de emergência, o plano de saúde é pago com muito custo por milhões de brasileiros, que esperam ter o tratamento adequado quando precisarem. Mas em 2015, não foi a doença que pegou os clientes da Unimed Paulistana de surpresa.
Na verdade, era a saúde financeira da Unimed Paulistana que estava mal havia seis anos. A empresa foi parar na UTI no dia 2 de setembro, quando a ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) interveio e determinou que todos os 744 mil clientes fossem transferidos para outros planos.
Quem dependia da Unimed Paulistana já enfrentou problemas logo nos primeiros dias após o anúncio. A queixa era de que, com medo de calote, alguns médicos e hospitais não estavam prestando atendimento.
Por meio de um acordo feito com a ANS, os clientes da Paulistana terão que escolher planos em outras Unimeds. Os novos pacotes têm valores e rede credenciada diferentes, o que tem feito algumas pessoas procurarem a Justiça.
A dívida da Unimed Paulistana somente com os cerca de 70 hospitais integrantes da Anahp (Associação Nacional de Hospitais Privados), chega a R$ 210 milhões, segundo o presidente da entidade, Francisco Balestrin. Ele ainda acrescenta que se for considerado todo o mercado, o montante ultrapassa R$ 1 bilhão.
— Há uns dois anos, a Unimed Paulistana vem mantendo esse comportamento de atrasos e dificuldades de pagamento. As instituições, como são instituições de saúde, evidentemente, têm uma sensibilidade maior. Neste ano, as coisas se agravaram de tal forma que nós vimos o resultado. Ela acabou, digamos, liquidada pela ANS, porque não tinha mais condições financeiras e técnicas.
Balestrin lembra que a crise da Unimed Paulistana é a maior no setor nos últimos anos. No fim da década de 90, a empresa recebeu milhares de clientes da Unimed São Paulo, que quebrou de forma muito parecida.
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Uma operadora com 744 mil clientes quebrar tem efeito em todo o setor, segundo o presidente da Anahp.
— O plano de saúde faz a gestão dos recursos. As pessoas saudáveis pagam o tratamento daquelas que estão doentes. É um sistema de mutualismo. Mas, em casos como o da Unimed Paulistana, elas percebem que as economias não estão sendo bem geridas. A pessoa paga o plano acreditando que, quando precisar, será atendida em um hospital de primeira linha e, nesse caso, perde esse direito. Isso cria uma grande falta de credibilidade para o setor de medicina suplementar como um todo.
Com o agravamento da crise financeira, muita gente está deixando os planos de saúde, seja por não ter dinheiro para pagar ou por demissão. Segundo dados da ANS, em setembro, 50,2 milhões de pessoas tinham convênio médico: 263,2 mil a menos do que em junho.
O atual cenário da saúde suplementar no Brasil precisa ser revisto, segundo Balestrin.
— O Brasil precisa recuperar a percepção de saúde. Inicialmente, trabalhando com promoção de saúde e prevenção, fazendo com que as pessoas fiquem menos doentes. Isso envolve não só o Ministério da Saúde, mas toda a sociedade civil.















