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Alta dos juros para conter a inflação ameaça crescimento econômico

Disparada de 11,75 pontos percentuais da taxa Selic desestimula o consumo, freia produção e já se reflete nas previsões de crescimento do PIB em 2023

Economia|Alexandre Garcia, do R7

Taxa básica de juros figura no maior patamar desde 2017
Taxa básica de juros figura no maior patamar desde 2017 Taxa básica de juros figura no maior patamar desde 2017

A trajetória que levou a taxa básica de juros ao maior patamar dos últimos seis anos para segurar o avanço da inflação pode ter um efeito perverso no desempenho da economia brasileira. O movimento ocorre com o menor estímulo para as famílias consumirem e já se reflete nas expectativas de crescimento para 2023.

Desde março do ano passado, a taxa Selic disparou 11,75 pontos percentuais — de 2% para 13,75% ao ano. O ciclo pode ainda não ter chegado ao fim, e parte dos analistas do mercado financeiro e o próprio Copom (Comitê de Política Monetária) já admitem um novo ajuste dos juros em 0,25 ponto percentual na reunião de setembro.

"O Comitê avaliará a necessidade de um ajuste residual, de menor magnitude, em sua próxima reunião. O Copom enfatiza que seguirá vigilante e que os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados para assegurar a convergência da inflação para suas metas", ressalta o documento em que a nova alta dos juros foi comunicada.

Para Vitor Nery, analista de renda fixa da Blue3 Investimentos, um novo ajuste da taxa básica de juros para o patamar de 14% ao ano terá um efeito pequeno perto do impacto já causado pela política monetária contracionista desde março do ano passado.

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Nery explica que existe agora a necessidade de observar o período de manutenção dos juros em alta, o que representa um "freio forte" para o desenvolvimento da atividade econômica. "Embora consiga reduzir a inflação, uma taxa Selic elevada, se prolongada por muito tempo, causa atraso econômico e impacta fortemente o PIB", afirma.

Indústria segue abaixo do nível pré-pandemia
Indústria segue abaixo do nível pré-pandemia Indústria segue abaixo do nível pré-pandemia

Com o possível cenário de manutenção da Selic em um nível elevado por um período prolongado, o mercado financeiro começou a derrubar a expectativa de alta do PIB (Produto Interno Bruto) — soma de todos os bens e serviços produzidos no país.

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As avaliações levam em conta que os juros maiores tornam o dinheiro mais caro, encarecem o crédito, reduzem a disposição para consumir e estimulam novas opções de investimento pelas famílias. "As pessoas que desejam movimentar a roda da economia vão pensar duas vezes antes de tomar um empréstimo mais caro", ressalta Nery.

Ricardo Jorge, especialista em renda fixa e sócio da Quantzed, observa que o fim da trajetória de elevação da taxa Selic é aguardado na expectativa de reaquecimento da economia nos próximos anos.

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"Como o mercado financeiro tenta antecipar os movimentos, a leitura é que o ciclo de alta dos juros se aproxima do fim e, se a inflação arrefecer, o BC vai poder reduzir a Selic. [...] Com o movimento de corte, existe a expectativa de um reaquecimento da economia, porque todo crédito fica facilitado para consumidores e empresários", prevê Jorge.

O movimento de alta dos juros já se reflete no desempenho do setor industrial, único dos grandes segmentos a figurar ainda abaixo do patamar de fevereiro de 2020, último mês sem medidas restritivas para conter o avanço da pandemia no Brasil.

"Novas altas da Selic, além de 13,75% ao ano, podem desestimular mais uma retomada de crescimento econômico. O setor industrial ainda sofre com o desarranjo da cadeia produtiva, principalmente insumos básicos", observa Fábio Astrauskas, economista e professor do Insper.

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