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América Latina não está pronta para "tsunami de dados", diz especialista

Economia|Do R7

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Bogotá, 23 jul (EFE).- As empresas latino-americanas ainda não estão preparadas para enfrentar o "tsunami de dados" gerado pelo aumento da conectividade na região, que deve chegar a 100 bilhões de dispositivos em 2020 graças à Internet das Coisas, advertiu nesta quinta-feira o especialista da Alcaltel-Lucent, Javier Rey. "O desafio que as empresas latino-americanas enfrentam com essa quantidade de dados é que elas não têm a capacidade de conduzi-los", levando em consideração "as necessidades internas (de telecomunicação) de seus funcionários e a relação com seus clientes", explicou o especialista colombiano em uma entrevista para os meios de imprensa da região, entre eles a Agência Efe. Para Rey, esse "paradoxo" só se resolve "com o investimento conjunto entre os setores público e privado" que supere os atuais US$ 14 bilhões que sua empresa estima que são investidos a cada ano em telecomunicações empresariais na América Latina. O especialista colombiano, diretor de segmentos estratégicos para a América Latina do grupo francês de telecomunicações, destacou que o setor bancário, o energético e o governamental são "aqueles que têm os maiores desafios" na região, mas que também são "os mais preparados". Segundo Rey, esses segmentos enfrentam o alto uso de dados de seus usuários, assim como "a grande quantidade de informação coletada por suas próprias equipes", o que cria um fenômeno de saturação de suas redes e de sua capacidade de resposta. Além disso, o especialista colombiano ressaltou que o fenômeno do "tsunami de dados" não deve ser entendido só como "algo externo" e advertiu que muitas firmas estão vivendo uma avalanche em seu próprio interior. As companhias "estão passando agora por um 'tsunami' de seu próprio negócio, com a automatização. As empresas de setores como o da mineração, por exemplo, alcançaram 98% de automatização dos dados que são transmitidos em tempo real. Também a linha 4 do metrô de São Paulo, que tem um dos maiores níveis (de automatização)", comentou o especialista da Alcaltel-Lucent. Nesse sentido, Rey acrescentou que, "diante de um desastre natural, sempre e quando este for previsível, suas consequências poderão ser administradas" e recomendou para esses casos "aumentar a segurança e a virtualização das comunicações através da mudança dos serviços para a nuvem", tudo "sendo competitivos no mercado". Rey destacou que países como Brasil, Colômbia e México tomaram a liderança na região na preparação para um iminente "maremoto" de dados. No entanto, o especialista esclareceu que a América Latina ainda segue atrás de grandes regiões com condições econômicas similares, especificamente países asiáticos como Cingapura e Coreia do Sul e alguns europeus de tamanho médio, no desenvolvimento de estratégias para lidar com esse fenômeno. Por isso, Rey aconselhou que se "incentivem debates sobre políticas públicas", após o aumento da cobertura em redes de comunicações nos países latino-americanos. "O primeiro a se fazer é construir a infraestrutura. É preciso garantir que está bem construída e que é sólida, para que não haja problemas depois", recomendou o colombiano. Nesse sentido, Rey fez um pedido aos governos regionais para que, além de "garantir", possibilitem diálogos abertos e "condições ideais" para as licitações e processos de concessão das redes de comunicações diante do "grande" desafio da avalanche de dados. Um fenômeno que, segundo o especialista, era apenas um desafio para as prestadoras de serviços, mas que agora "começa a se transferir para o interior dos escritórios". No entanto, Rey não absolveu os usuários finais, aqueles que precisamente fornecem as informações que formam a "avalanche de dados", dos riscos diante de um aumento da conectividade. Segundo o consultor, as pessoas que usam canais cada vez mais saturados enfrentam desde "deficiências", até a perda da qualidade dos serviços 'on demand' dos quais são assinantes. Por esse motivo, Rey explicou que a tendência nas companhias, não só nas latino-americanas, é de "centralizar as informações" para conseguir lidar com o aumento da conectividade. "Devemos criar um ecossistema, onde a tecnologia é uma via, e oferecer ideias de planejamento. Que o Estado permita o investimento privado, com retornos, e que haja incentivos fiscais, além de tornar mais fácil para o investidor privado este ecossistema", concluiu. A Alcatel-Lucent, com sede em Paris, é uma corporação nascida como resultado da fusão entre a francesa Alcatel e a americana Lucent Technologies, que fornece hardware, software e serviços para provedores de serviços de telecomunicação e empresas. EFE arm/rpr/rsd

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