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Análise: incoerência de discursos dificulta objetivo do governo de proteger setor automotivo

Economista avalia que carros elétricos têm potencial, mas importação de peças e benefícios a modelos à combustão prejudicam mercado

Economia|Do R7, com RECORD NEWS

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • O governo do Brasil renovou a cota de importação de carros elétricos por mais seis meses a partir de julho, visando melhores preços aos consumidores.
  • A Anfavea expressou preocupação de que a medida possa prejudicar fabricantes brasileiros.
  • O economista Miguel Daoud considera o impacto econômico da renovação nulo, mas vê potencial no mercado de carros elétricos.
  • Daoud critica a incoerência do governo em incentivar tanto a montagem local quanto a importação de peças, além de decisões que favorecem veículos a combustíveis fósseis.

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Para garantir melhores preços aos consumidores, o governo do Brasil optou por renovar a cota de importação sem imposto de carros elétricos por mais seis meses a partir do início de julho. A medida contempla um limite de US$ 463 milhões em veículos e visa baratear a montagem final no Brasil; contudo, a Anfavea (Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores) afirmou que a decisão pode prejudicar os fabricantes brasileiros.

Na opinião do economista Miguel Daoud, o impacto econômico da renovação é praticamente nulo e, além de diminuir o custo na importação das peças, também fortalece um novo e interessante setor: “Há uma vontade muito grande na população em comprar. [...] Carro elétrico é um mercado que nós não podemos achar que não existe”.


Durante o Conexão Record News desta quarta (24), o especialista avaliou que o principal problema atual é a incoerência existente nos discursos, tanto por parte do governo quanto dos fabricantes: “Eu vou incentivar o carro elétrico para ser montado aqui [...], mas aí, ao mesmo tempo, eu também vou dar incentivo para uma indústria que diz que produz o carro aqui, mas importa a maioria das peças”.

Além disso, Daoud aponta que decisões como o adiamento da reunião que discutiria o aumento da mistura de etanol e gasolina, aliada ao aumento na produção de petróleo pela Petrobras, fazem a população optar por veículos movidos a combustíveis fósseis e enfraquecem o setor. “Essas coisas que são ruins para o Brasil, porque elas tiram previsibilidade de investimento do que você vai fazer”.

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