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BYD nega ter pedido mais tempo de isenção de impostos ao governo para kits CKD

Alexandre Baldy defende cumprimento de acordo firmado com o governo em 2025: Anfavea pede manutenção do cronograma de recomposição tarifária

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Alexandre Baldy vice-presidente Sênior da BYD Marcos Camargo Jr 23.06.2036

A disputa em torno da política industrial para veículos eletrificados voltou a ganhar força no Brasil. Montadoras que apostam em carros híbridos e elétricos, lideradas pela BYD, defendem a manutenção de condições especiais para a importação de kits CKD e SKD, utilizados na montagem local dos veículos, enquanto a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) reforça a pressão para que o cronograma de recomposição do Imposto de Importação seja mantido sem novas flexibilizações.Nos bastidores de Brasília, a discussão envolve a Câmara de Comércio Exterior (Camex) e ocorre em meio à aceleração dos investimentos em novas fábricas no país. O principal pleito das empresas é garantir mais tempo para concluir a fase de transição entre a importação de conjuntos desmontados e a produção com maior índice de nacionalização.

Fábrica da BYD

Vice-presidente sênior da BYD no Brasil, Alexandre Baldy afirmou que a fabricante chinesa não apresentou um novo pedido ao governo, mas busca apenas a execução integral do acordo firmado em 2025. Segundo o executivo, o entendimento original previa doze meses de cotas para importação de kits CKD e SKD com isenção tributária, divididos em duas etapas de seis meses.A primeira fase vigorou até janeiro deste ano. Já a segunda dependeria da verificação dos investimentos e das contrapartidas assumidas pelas empresas beneficiadas. A BYD disse ter investido “ R$ 5,5 bilhões do plano anunciado. Estamos construindo 17 unidades num complexo industrial que estava abandonado e onde já trabalham 5 mil empregados”, disse durante a cerimônia de entrega do veículo número 300 mil.


Fábrica da BYD

“Nunca houve novo pedido. O pedido sempre foi o mesmo e o compromisso sempre foi o mesmo”, declarou Baldy. O executivo não quis comentar a nota da Anfavea sobre a possibilidade de judicializar a questão. O Comitê-executivo de Gestão (Gecex) tem reuniao nesta semana sobre o benefício tributário adicional para a importação de veículos, montados ou semimontados, os chamados kits CKD e SKD.“Nós respeitamos o governo, respeitamos o Brasil, cumprimos a nossa parte desse compromisso com o Brasil, com o brasileiro, investindo, gerando emprego para brasileiros” se defendeu Baldy. Entenda os regimes CKD e SKDOs regimes CKD (Completely Knocked Down) e SKD (Semi Knocked Down) consistem na importação de veículos desmontados ou parcialmente desmontados para posterior montagem local.

Fábrica da BYD

O sistema é utilizado historicamente por diversas montadoras em vários países e costuma servir como etapa intermediária antes da nacionalização completa da produção. A diferença é que o modelo exige menor participação da cadeia de fornecedores locais e menos etapas industriais quando comparado à fabricação integral do veículo.A BYD iniciou suas operações na Bahia utilizando esse formato e defende que a fase de transição é comum em novas fábricas automotivas. Balde disse que as marcas hoje estabelecidas no país começaram com cotas de importação de kits até uma nacionalização completa. Anfavea pede previsibilidade e rejeita novas concessõesDo outro lado, a Anfavea intensificou a defesa da manutenção das regras atuais. Em carta aberta divulgada dia 19 de julho, a entidade afirmou que alterar novamente o cronograma de recomposição tarifária comprometeria a previsibilidade necessária para os investimentos anunciados pela indústria automotiva brasileira. Segundo a associação, as fabricantes instaladas no país têm projetos que somam cerca de R$ 140 bilhões até 2033.


Fábrica da BYD

A entidade ressalta que não é contrária aos sistemas CKD e SKD em si, mas considera problemática a utilização em larga escala com incentivos tributários prolongados. Para a associação, o modelo pode reduzir a participação das autopeças nacionais, enfraquecer a engenharia local e comprometer empregos na cadeia produtiva.Em janeiro, estudo apresentado pela Anfavea estimou que uma eventual expansão do modelo de montagem simplificada poderia colocar em risco até 69 mil empregos diretos e provocar perdas bilionárias para a indústria de autopeças e para a arrecadação tributária. Governo terá de arbitrar novo capítulo da disputaA discussão ocorre justamente às vésperas de novas deliberações da Camex. Nos últimos dias, representantes das montadoras e da própria Anfavea intensificaram as articulações em Brasília para influenciar a decisão do governo.Enquanto fabricantes como BYD defendem que a extensão temporária dos benefícios é necessária para consolidar os investimentos em novas plantas industriais, as montadoras tradicionais e os fabricantes de autopeças sustentam que mudanças nas regras poderiam gerar distorções competitivas e prejudicar a estratégia de reindustrialização do país.

O regime da BYD não é exclusivo. Marcas como a GWM também importam veículos em kits dentro de uma transição gradual. Marcas chinesas como MG, Jetour, GAC, Omoda & Jaecoo entre outras também estudam se beneficiar destas cotas para se estabelecerem no país. Até mesmo marcas como a Chevrolet também iniciaram a montagem local de kits importado como o recente anúncio de aumento da montagem de elétricos como o Captiva EV e mais dois modelos até 2027.


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