Banco Mundial faz alerta aos países emergentes: "Apertem os cintos"
Economia|Do R7
Alfonso Fernández. Washington, 10 jun (EFE).- A transição na economia global, com o esperado aumento das taxas de juros nos Estados Unidos e os baixos preços das matérias-primas, forçaram as economias emergentes a enfrentar um notável arrefecimento diante do qual deverão "apertar o cinto", advertiu nesta quarta-feira o Banco Mundial (BM). A expectativa é que a economia global cresça agora 2,8% em 2015, contra o 3% calculado em janeiro, enquanto as emergentes avançarão 4,4%, abaixo do 4,8% previsto previamente, segundo o relatório semestral "Perspectivas Econômicas Globais" divulgado hoje em Washington. "Está em andamento uma forte freada estrutural", declarou Ayhan Kose, autor principal do relatório, em entrevista coletiva na sede do organismo. Como grandes sombras no panorama econômico, o BM chamou atenção para a antecipada alta nos custos de financiamento pelo aumento das taxas de juros nos EUA, em níveis excepcionalmente baixos desde o final de 2008, e para a queda nos preços de matérias-primas e do petróleo. "A menos que os mercados emergentes tenham tomado medidas prudentes para ser resistentes fiscal e externamente, enfrentarão notáveis desafios associados com a turbulência financeira e outros efeitos colaterais do ajuste monetário do Federal Reserve (Fed, banco central americano)", ressaltou Kose. O banco central americano já anunciou sua intenção de considerar seu primeiro aumento das taxas de juros de referência, agora entre 0% e 0,25%, ao longo deste ano, embora a fraqueza de alguns indicadores recentes apontem para um possível atraso até 2016. Neste sentido, o economista-chefe do BM, Kaushik Bashu, foi mais explícito. "No Banco Mundial, como nos aviões, acabamos de acender a luz de 'apertem os cintos'. Estamos recomendando aos países, especialmente aos emergentes, que façam isso", ressaltou Bashu. Segundo os economistas do organismo, aqueles países que se basearam, "em grande medida, nos fluxos internacionais de capital poderiam ver-se negativamente afetados pelo encarecimento dos custos de financiamento" após o início do ajuste monetário nos EUA, entre os quais mencionou a Turquia e a África do Sul. O maior corte nas previsões do BM ficou com a América Latina, cuja economia roçará o crescimento nulo com uma expansão de apenas 0,4% para este ano, contra o 1,7 % previsto há seis meses. Concretamente, a instituição alertou sobre as previsões de contração de 1,3% do Brasil neste ano, afetado pela queda do investimento e pelo escândalo de corrupção na Petrobras. Ao norte, a outra grande economia latino-americana, o México, deve crescer 2,6%, abaixo do 3,2% calculado em janeiro, como consequência da persistente "fragilidade" da atividade econômica, a "fraqueza" do primeiro trimestre nos EUA e os baixos preços do petróleo. No continente asiático, a situação é mais otimista com China e Índia, ainda com previsões de crescimento superiores a 7%. "A China evitou com destreza os buracos por enquanto e estará crescendo 7,1%. Com um crescimento esperado de 7,5% neste ano, a Índia está, pela primeira vez, liderando a classificação de crescimento das principais economias", comentou Bashu. Por último, o economista destacou a queda de 40% nos preços do petróleo em um ano, e assinalou que as previsões do BM apontam para uma manutenção do preço do barril nos níveis atuais, com uma média de US$ 58 para 2015. O Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional (FMI) realizarão sua assembleia anual em outubro em Lima, Peru, a primeira na América Latina após meio século. EFE afs/rsd












