BC interrompe ciclo de alta e mantém juros em 14,25%
Economia|Do R7
Por Marcela Ayres
BRASÍLIA (Reuters) - O Banco Central manteve nesta quarta-feira a taxa básica de juros em 14,25 por cento ao ano, em decisão unânime e amplamente esperada, interrompendo o ciclo de aperto monetário iniciado em outubro do ano passado.
O Comitê de Política Monetária (Copom) reforçou a necessidade de manter os juros nesse patamar por um "período suficientemente prolongado" para levar a inflação à meta no fim de 2016 e afirmou que a decisão aconteceu "avaliando o cenário macroeconômico, as perspectivas para a inflação e o atual balanço de riscos", segundo o comunicado da autoridade monetária.
A pesquisa da Reuters mostrou que 29 de 30 economistas consultados previam que o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC deixaria a Selic inalterada.
"A decisão mostra que o BC está bastante confiante de que a política monetária está num patamar apertado o suficiente para reduzir a inflação", disse o economista-chefe do banco Santander Brasil, Maurício Molan.
O BC iniciou o ciclo de aperto em outubro passado e, de lá para cá, foram sete elevações na taxa básica de juros que somaram 3,25 pontos percentuais, levando a Selic para o maior patamar em nove anos, em uma tentativa de conter a aceleração da inflação.
O BC já havia sinalizado o fim do ciclo de aperto monetário, mas tem alertado sobre a necessário de manter-se vigilante em caso de desvios significativos das expectativas de inflação.
O discurso de atenção foi reforçado recentemente pelo diretor de Política Econômica do Banco Central, Luiz Awazu Pereira da Silva, ao afirmar no fim de agosto que a política monetária terá viés conservador por período prolongado e que é preciso "muita calma", "sangue frio", "paciência" e "perseverança" neste processo.
A economia brasileira está em uma situação difícil. De um lado, o país entrou em recessão, que deve se estender até o próximo ano, segundo expectativas do mercado. De outro, a inflação em 12 meses se aproxima de 10 por cento e o dólar, que encarece os produtos importados, chegou ao nível mais alto em quase 13 anos nesta quarta-feira.
Além disso, com dificuldades de aprovar medidas de ajuste fiscal no Congresso, o governo praticamente desistiu de equilibrar as contas públicas no próximo ano.
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(Reportagem adicional de Silvio Cascione)















