Logo R7.com
RecordPlus

BC vê inflação acima de 6% neste ano, com pressão de administrados

Economia|Do R7

  • Google News

Por Patrícia Duarte

SÃO PAULO, 27 Mar (Reuters) - Com forte pressão dos preços administrados, o Banco Central piorou bastante sua projeção de inflação neste ano, para acima de 6 por cento, ao mesmo tempo em que piorou as contas para o crescimento econômico, indicando que o ciclo de aperto monetário pode ser ainda mais longo.


Segundo o Relatório Trimestral de Inflação do BC divulgado nesta quinta-feira, o IPCA ficará em 6,1 por cento neste ano pelo cenário de referência, ante previsão de 5,6 por cento, aproximando-se ainda mais do teto da meta do governo, de 4,5 por cento, com margem de dois pontos percentuais para mais ou menos.

O BC também piorou a sua estimativa para a inflação em 2015, a 5,5 por cento em 2015, um pouco acima da medida anterior (5,4 por cento) e projeta que ela fechará o primeiro trimestre de 2016 em 5,4 por cento, também pelo cenário de referência, que vê o dólar a 2,35 reais e Selic a 10,75 por cento.


Os riscos desse cenário, alertou a autoridade monetária, vêm "do comportamento das expectativas de inflação, impactadas negativamente nos últimos meses pelo nível da inflação corrente". Isso porque há dispersão de aumentos de preços e incertezas sobre os preços da gasolina e de alguns serviços públicos, como eletricidade.

Dentro desse contexto, o BC piorou suas estimativas para a alta nos preços administrados para 5 por cento em 2014 e 2015, 0,5 ponto percentual a mais do que a conta anterior. Especificamente para os preços de eletricidade neste ano, a projeção de alta passou a 9,5 por cento, ante 7,5 por cento.


"A esse respeito, o Comitê tem agido no sentido de fazer com que a elevada variação dos índices de preços observada nos últimos doze meses seja percebida pelos agentes econômicos como um processo de curta duração", trouxe o relatório. E acrescentou que esses efeitos "podem e devem ser limitados pela adequada condução da política monetária".

Para especialistas, a mudança do cenário inflacionário feito pelo BC foi bastante importante e pode indicar mais aperto monetário. "Se os dados de inflação continuarem vindo ruins, a Selic teria de subir mais", afirmou o economista-chefe do banco Fator, José Francisco Gonçalves, para quem a taxa básica de juros ainda será elevada mais 3 vezes, em 0,25 ponto percentual cada.


"Mas tem limite. Até certo ponto, não tem como combater preços administrados com aumento de juros", acrescentou.

Desde abril passado, o BC já elevou a Selic em 3,5 pontos percentuais, para o atual patamar de 10,75 por cento ao ano, a fim de combater a inflação ainda pressionada.

Na próxima semana, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC se reúne novamente e mais uma alta de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros é esperada. Para maio, também já existiam apostas de outro movimento igual, o que levaria a Selic a 11,25 por cento.

O BC também ressaltou as pressões de preços localizadas "especialmente no segmento de alimentos in natura, embora, em princípio, trate-se de choque temporário e que tende a se reverter nos próximos meses", acrescentou.

Segundo pesquisa Focus do próprio BC da semana passada, a projeção dos economistas era de que o IPCA fechará este ano a 6,28 por cento e, 2015, a 5,80 por cento.

O cenário macroeconômico do país não é dos mais animadores neste ano, quando a presidente Dilma Rousseff tentará a reeleição, com expectativas de desaceleração da atividade e inflação ainda elevada, próxima do teto da meta.

E, para piorar, o BC projeta que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro deste ano será de 2 por cento, desacelerando sobre o resultado de 2013.

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.