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BCE começa a comprar amanhã títulos da dívida pública da zona do euro

Economia|Do R7

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Arantxa Iñiguez. Frankfurt (Alemanha), 8 mar (EFE).- O Banco Central Europeu (BCE) começa amanhã, segunda-feira, a comprar títulos da dívida pública da zona do euro no mercado secundário, programa cujo anúncio já levou a cotação do euro para menos de US$ 1,10 e pode agora depreciar a moeda europeia ainda mais. Deste modo será mais fácil para empresas exportadoras europeias vender na América e na Ásia. O presidente do BCE, Mario Draghi, lembrou na quinta-feira que o volume de compra de dívida pública e privada passa dos 60 bilhões de euros por mês até, pelo menos, final de setembro de 2016, mas que esse prazo pode ser prolongado se a inflação não chegar aos 2%. Desse volume 40 bilhões de euros corresponderão a bônus soberanos, quatro bilhões a bônus de agências públicas, seis bilhões em bônus emitidos por instituições europeias e 10 bilhões de euros de bônus garantidos e bônus de títulos, segundo cálculos de Commerzbank. O BCE poderá comprar dívida emitida por instituições como o Banco de Desenvolvimento Europeu, a Comunidade Europeia de Energia Atômica, o Fundo Europeu para a Estabilidade Financeira, o Mecanismo de Estabilidade Europeu (MEE), o Banco Europeu de Investimentos e a União Europeia. Além disso, o BCE comprará dívida do Instituto de Crédito Oficial (ICO) e de outras agências como a francesa Caisse d'amortissement da dette sociale (CADES) e o banco alemão Kreditanstalt fuer Wiederaufbau (KfW). "É verdade que os bônus soberanos, em particular de países do centro (da Europa), em breve serão poucos porque os bancos nacionais e as seguradoras, assim como os bancos centrais estrangeiros, têm pouco incentivo para vender ao BCE", considerou o economista-chefe do Commerzbank, Jörg Krämer. O BCE comprará bônus soberanos com grau de investimento e vencimento de entre dois e 30 anos. Draghi disse em Nicósia que o BCE comprará a metade dos bônus públicos da zona do euro fora da área. O BCE comprará bônus com uma rentabilidade negativa máxima de -0,2%, porcentagem atual das taxas de juros de depósito. Os efeitos de escassez induzidos pela compra de bônus do BCE e a caça por rentabilidade deveria levar as rentabilidades da periferia e os diferenciais a novos mínimos pós-crise, mas a rentabilidade do Bund (bônus alemão de 10 ou 30 anos) deve apresentar inicialmente movimentos laterais, segundo Krämer. A desvalorização do euro contribuirá para impulsionar o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) da Alemanha em 2015, principalmente pela desvalorização do euro. O Commerzbank e o Instituto de Pesquisa Econômica alemão (Ifo) concordaram que o canal de transmissão das compras de dívida contribuirão para impulsionar o crescimento e a desvalorização do euro. No entanto, o banco italiano UniCredit assinalou que "o impacto econômico acontecerá pela via das taxas de juros de empréstimo mais baixas e um maior acesso de crédito ao setor privado", como já funciona o mecanismo de transmissão da política monetária nos dois maiores países periféricos, Itália e Espanha. "Achamos que existe uma probabilidade não desdenhável de que o BCE se veja forçado a ampliar o programa de compra de bônus", acrescentou Krämer, que revisou para cima suas previsões de crescimento para a Alemanha em 0,3, até 1,8%. No entanto, a UniCredit disse que as previsões econômicas do BCE concebem uma volta à estabilidade de preços em 2017, por isso o cenário mais provável é que o programa de expansão quantitativo termine em setembro de 2016. "A economia alemã, em boa forma, se beneficia mais da desvalorização do euro e da queda dos preços do petróleo que muitos outros países da zona do euro", destacou o economista-chefe do Commerzbank. O euro continuará sofrendo por causa do programa de expansão quantitativa, mas o DAX-30 poderia se beneficiar quando o BCE começar a comprar bônus pela ausência de alternativas de investimento, e considerando que a média de rentabilidade do dividendo do índice é de 2,8 %, superior à rentabilidade dos bônus soberanos e corporativos. O Commerzbank prevê que o DAX-30 termine o ano em 11.800 pontos, 20% a mais que no final de 2014. EFE aia/cd

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