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Brasil tem renda por hora trabalhada até quatro vezes menor que a de países ricos

Especialistas apontam fatores estruturais como infraestrutura, educação e produtividade para explicar diferença

Economia|Giovana Cardoso, do R7, em Brasília

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • A renda por hora trabalhada no Brasil é até quatro vezes menor que em países ricos, apesar de os brasileiros trabalharem mais horas ao ano.
  • A produtividade é medida pela divisão do PIB pelo total de horas trabalhadas, ajustada por inflação e custo de vida.
  • Fatores como infraestrutura, tecnologia e sistema educacional impactam a produtividade, que cresce apenas 0,3% ao ano no Brasil.
  • A Câmara dos Deputados aprovou uma PEC que reduz a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem diminuição salarial.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Trabalhador brasileiro ganha em média US$ 20 por hora trabalhada Arquivo/Agência Brasil

O Brasil está entre os países em que os trabalhadores mais passam tempo em atividade ao longo do ano, mas a renda média gerada por hora trabalhada é significativamente menor do que a registrada em economias desenvolvidas que estão entre as maiores do mundo, segundo dados do Our World in Data, projeto em parceria com a Universidade de Oxford.

Enquanto brasileiros trabalham, em média, 1.994 horas por ano, países como Estados Unidos, Alemanha, França e Reino Unido registram jornadas anuais menores — em alguns casos, mais de 600 horas a menos.


Os dados mostram que, apesar de trabalhar mais horas ao longo do ano, o trabalhador brasileiro recebe por hora menos de um quarto do valor observado nessas economias.

Valor da hora de trabalho no Brasil e em outros países Luce Costa/Arte R7

O Our World in Data usa o termo produtividade para definir o indicador de renda por hora trabalhada. O índice é calculado a partir da divisão do PIB pelo total de horas trabalhadas na economia, com ajustes para inflação e diferenças no custo de vida entre países.


Segundo o Instituto de Política Econômica, instituto de pesquisa e formulação de políticas sem fins lucrativos sediado nos EUA, a produtividade mede a quantidade de renda gerada (para trabalhadores, empresários, proprietários de imóveis e todos os demais juntos) em uma hora média de trabalho na economia.

“À medida que a produtividade aumenta e cada hora de trabalho gera, em média, mais renda ao longo do tempo, cria-se o potencial para melhorar o padrão de vida de todos”, afirma a instituição.


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O economista Rafael Richter ressalta que a produtividade não está ligada a questões culturais ou “preguiça”, mas, sim, a fatores estruturais, como infraestrutura, adoção de tecnologia, melhora do ambiente regulatório e simplificação do sistema tributário.

Outros aspectos, como transporte eficiente, qualificação da mão de obra e melhores condições de saúde pública, também contribuem diretamente para elevar a produtividade nacional.


“O Brasil permanece atrás de alguns países de renda semelhante porque ainda convive com instabilidade econômica, infraestrutura deficiente, altos custos burocráticos e insegurança jurídica. Soma-se a isso problemas estruturais importantes, como a baixa cobertura de saneamento básico, sistemas de transporte inadequados e um sistema educacional ainda pouco efetivo na formação de capital humano”, explica.

A produtividade dos trabalhadores de um país impacta diretamente a economia, principalmente a inflação. O mercado aquecido, combinado com a baixa produtividade, pressiona o custo de trabalho e dificulta a convergência da inflação de serviços à meta, o que torna o cenário mais desafiador para o Banco Central. Nos últimos seis anos, a produtividade do trabalho registrou crescimento médio de apenas 0,3% ao ano, aponta a FGV Ibre.

Para o economista Natale Papa, a baixa produtividade também gera impactos na competitividade do Brasil no mercado internacional.

“Quanto maior a produtividade, maior tende a ser a capacidade das empresas de crescer, investir, inovar e pagar salários melhores. Isso também aumenta a competitividade do Brasil no mercado internacional. Por outro lado, uma produtividade baixa limita o crescimento da renda, reduz o potencial de expansão da economia e dificulta avanços mais consistentes na qualidade de vida da população”, aponta.

PEC do fim da escala 6x1

A discussão sobre as condições de trabalho no Brasil ganhou força em meio à votação do fim da escala 6x1 no Congresso Nacional.

Uma PEC (proposta de emenda à Constituição) que reduz a jornada de trabalho e obriga dias de descanso remunerado por semana foi aprovada pela Câmara dos Deputados na semana passada e agora aguarda análise do Senado.

A PEC diminui a carga semanal de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem redução salarial.

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