Controle da inflação traz justiça social, diz novo presidente do Banco Central
Para Ilan Goldfajn, manutenção da inflação em níveis baixos ajuda a reduzir as incertezas
Economia|Da Agência Brasil

O controle da inflação reduz as incertezas sobre a economia e promove a justiça social, disse nesta segunda-feira (13) o novo presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn. Ao receber o cargo do ex-presidente do órgão, Alexandre Tombini, ele disse que trabalhará para retomar o chamado tripé macroeconômico, marcado por responsabilidade fiscal, manutenção da inflação e câmbio flutuante.
No discurso de posse, Goldfajn disse que as únicas missões da autoridade monetária são manter o poder de compra da moeda e a estabilidade do sistema financeiro e refutou a ideia de que mais inflação gera mais crescimento.
— Vamos perseguir uma inflação baixa e estável. Essa é a primeira contribuição do Banco Central para a sociedade brasileira, especialmente para camadas menos favorecidas, que mais sofrem com a perda do poder de compra da moeda.
Para o novo presidente, a manutenção da inflação em níveis baixos ajuda a reduzir as incertezas em relação à economia e a melhorar o ambiente de negócios, resultando na ampliação do emprego e da renda.
— O bem-estar social proporcionado pelo poder de moeda da compra beneficia todos os cidadãos brasileiros, sem que o benefício de um diminua o de outro.
Tripé econômico
Ao tomar posse, Goldfajn disse que está empenhado em substituir a nova matriz econômica, como foi chamada a política econômica que vigorou nos últimos anos, caracterizada pela redução de juros, por medidas de estímulo ao crédito e por incentivos fiscais.
— Há consenso de que a nova matriz econômica deve ser substituída pelo bom e velho tripé macroeconômico: responsabilidade fiscal, controle da inflação e regime de câmbio flutuante. Foi esse sistema que permitiu ao Brasil ascender num passado não muito distante.
Para Goldfajn, é falsa a ideia de que inflação mais alta gera mais desenvolvimento econômico.
— Existe um falacioso dilema entre inflação baixa e crescimento econômico. Nossa história recente mostra que crescimento da inflação não fomenta o desenvolvimento, pelo contrário, desorganiza a economia, reduz investimentos e tem impacto sobre o emprego e a renda.
Diretor de Política Econômica do Banco Central entre 2000 e 2003, Goldfajn participou da criação do regime de metas de inflação, em vigor até hoje. Segundo ele, a autoridade monetária estará empenhada em trazer a inflação oficial para o centro da meta, que é de 4,5%, mas não deu prazo de quando isso deve ocorrer. A inflação atual está oscilando entre 9% e 10%.
— Os limites de tolerência servem para acomodar choques que não permitem retorno [da inflação ao centro da meta] em tempo hábil. É importante que as expectativas indiquem, no presente, trajetória de convergência da meta em futuro não muito distante. Em caso de persistentes choques, essa trajetória precisa ser crível.
A nova autoridade monetária afirmou que poderá usar com "parcimônia" as ferramentas cambiais.
— Sem ferir o regime de câmbio flutuante, o Banco Central poderá utilizar com parcimônia as ferramentas cambiais de que dispõe. Nesse sentido, poderá reduzir sua exposição cambial em determinado instrumento em ritmo compatível com o normal funcionamento do mercado, quando e se estiverem presentes as adequadas condições.
Semana passada, Ilan afirmou durante sabatina no Senado que iria respeitar o regime de câmbio flutuante, mensagem que foi entendida pelo mercado como sinal de que estaria bem menos propenso a fazer intervenções cambiais do que a gestão do ex-presidente do BC Alexandre Tombini. Com isso, o dólar chegou despencar para R$ 3,3697, menor patamar de fechamento em quase um ano.
Com a fala desta tarde, o dólar manteve-se nas máximas do dia, no patamar de R$ 3,48.
Responsável por conduzir a cerimônia, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, também relacionou a baixa inflação à melhoria na distribuição de renda.
— A inflação elevada e volátil corrói a renda e penaliza as camadas mais pobres da população. A inflação baixa é pré-resquisito para o crescimento sustentável.
Ao receber o cargo, Goldfajn anunciou quatro novos nomes para a diretoria do Banco Central. Carlos Viana de Carvalho será o novo diretor de Política Econômica. Reinaldo Le Grazie substituirá Aldo Luís Mendes na Diretoria de Política Monetária. O novo diretor de Assuntos Internacionais será Tiago Berriel.
A Diretoria de Relacionamento Institucional e Cidadania ficará a cargo de Isaac Sidney Ferreira, atual procurador-geral do órgão. Luiz Edson Feltrim permanecerá na Diretoria de Administração. Desde setembro do ano passado, ele acumulava as Diretorias de Administração e de Relacionamento Institucional. Os indicados precisam ser sabatinados e aprovados pelo Senado.
Além do ministro Meirelles, a cerimônia contou com a presença dos ministros do Planejamento, Dyogo Oliveira, e de Indústria, Comércio Exterior e Serviços, Marcos Pereira. Também compareceram o ex-ministro da Fazenda Pedro Malan, o presidente da Febraban (Federação Brasileira de Bancos), Murilo Portugal, e o presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco. Os presidentes do Banco do Brasil, Paulo Cafarelli, e da Caixa Econômica, Gilberto Occhi, também compareceram à transmissão de cargo.












