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Copa do Mundo impulsiona restaurantes; crescimento chega a 7,9%

Fluxo e ticket médio aumentam em grandes eventos, mas impacto varia por região

Economia|Do R7

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Eventos como a Copa reforçam o potencial do setor Reprodução/Magnific/Anna Bizon

Grandes eventos esportivos e culturais, como a Copa do Mundo, têm efeito direto sobre o movimento em bares e restaurantes no Brasil, ampliando o fluxo de consumidores e estimulando o consumo fora do lar em períodos concentrados.

Esse impulso chega para um setor que segue em expansão, com crescimento de 7,9% em março de 2026 na comparação anual, segundo dados do Mastercard SpendingPulse em parceria com a Associação Nacional de Restaurantes (ANR), mesmo diante de um cenário econômico desafiador.


O impacto desses eventos vai além do volume e está diretamente ligado ao perfil de consumo. Para entender esse aspecto, é importante resgatar alguns dados. Em 2025, o Brasil recebeu 9,3 milhões de turistas internacionais, alta de 37,1% em relação a 2024, de acordo com levantamento do Mastercard Economics Institute.

Durante o Carnaval, turistas europeus e norte-americanos, mais orientados à experiência, concentram gastos em restaurantes, hospedagem e entretenimento, enquanto sul-americanos, especialmente argentinos e chilenos, chegam antes e apresentam perfil mais voltado a compras.


Esse padrão ajuda a explicar o comportamento observado em eventos como a Copa, que tendem a atrair um público com maior predisposição ao consumo de experiências, aumentando o potencial de captura de valor pelos restaurantes, especialmente em cidades com maior vocação turística.

Ainda assim, o impacto não é uniforme. Regiões preparadas para absorver esse tipo de demanda conseguem aproveitar melhor os ganhos, enquanto outras podem sentir efeitos mais moderados.


Mesmo dentro de uma mesma cidade, localização e posicionamento fazem diferença, com estabelecimentos inseridos em áreas de maior circulação ou conectados à experiência do evento apresentando desempenho superior.

Esse efeito pontual convive com uma dinâmica estrutural de sazonalidade no setor. Ao longo do ano, o consumo varia conforme calendário e comportamento do público, com o segundo semestre concentrando 53,2% das vendas e o quarto trimestre quase 28% do total anual.


Fevereiro representa o menor peso, com 7,1% do faturamento, enquanto dezembro lidera com 10,1%, impulsionado por confraternizações e festas.

As variações também aparecem no recorte regional. Em março de 2026, enquanto alguns estados registraram crescimento bem acima da média nacional de 7,9%, outros tiveram avanço mais moderado, reforçando que fatores locais seguem determinantes para o desempenho dos restaurantes.

Para Erik Momo, presidente do conselho da Associação Nacional de Restaurantes (ANR), o principal desafio está em transformar picos de demanda em resultado consistente.

“O erro mais comum é tratar grandes eventos como uma oportunidade de volume quando, na prática, eles são uma oportunidade de reposicionamento momentâneo do negócio. O cliente que entra durante uma Copa não é necessariamente o mesmo do dia a dia, e quem ajusta experiência, oferta e operação para esse novo perfil consegue capturar valor de forma muito mais eficiente.”

(Erik Momo)

Eventos como a Copa reforçam o potencial do setor, mas também evidenciam que o crescimento sustentável passa menos pelo calendário e mais pela capacidade de adaptação dos restaurantes a diferentes perfis de consumo ao longo do ano.

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