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Copom decide juros nesta quarta em meio à guerra no Oriente Médio e pressão inflacionária

Mercado financeiro estima corte de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros, que valerá pelos próximos 45 dias

Economia|Giovana Cardoso, do R7, em Brasília

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Mercado financeiro estima corte de 0,25 ponto percentual na taxa Selic, atualmente em 14,75%.
  • Discussão sobre a decisão se inicia nesta terça-feira (28) pelo Copom do Banco Central.
  • Expectativa é de uma redução moderada da taxa, devido à incerteza econômica e alta das expectativas de inflação.
  • A nova taxa deve permanecer por pelo menos 45 dias, até a próxima reunião dos diretores do BC.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Decisão será divulgada no fim da tarde desta quarta Raphael Ribeiro/Banco Central - Arquivo

Em meio à guerra no Oriente Médio e ao cenário inflacionário no Brasil, o Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central decide nesta quarta-feira (29) a taxa básica de juros da economia brasileira. Apesar das incertezas, o mercado financeiro projeta um corte de 0,25 ponto percentual na Selic, atualmente fixada em 14,75%.

No encontro anterior, no dia 18 de março, o comitê reduziu a taxa para 14,75% pela primeira vez, interrompendo o ciclo de altas desde maio de 2024.


A nova taxa valerá ao menos pelos próximos 45 dias, quando os diretores do BC voltam a se reunir para discutir novamente a conjuntura econômica nacional.

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Mesmo com a guerra e a alta da inflação, o economista Fábio Murad explica que a valorização do real e um superávit comercial sólido criam um ambiente favorável para uma política monetária mais flexível, o que fortalece as expectativas de redução gradual da Selic.


“Em um cenário global incerto, o Brasil se apresenta como uma alternativa segura, especialmente para investidores que buscam geração de renda passiva em dólar. Para manter esse fluxo, o Brasil deve seguir com um compromisso fiscal claro e um ambiente regulatório confiável, permitindo que os investidores possam operar com autonomia e com visão de longo prazo”, aponta.

Na visão do professor de economia da UFU (Universidade Federal de Uberlândia) Benito Salomão, a tendência do Copom em reduzir a taxa é adequada. O especialista entende que, apesar do corte, isso não muda o quão contracionista a política monetária tem sido nos anos recentes.


“É possível que esse movimento da taxa de câmbio reduza o impacto inflacionário desse aumento internacional do petróleo e dos seus derivados, então eu não acredito que esse impulso inflacionário seja tão forte quanto alguns analistas têm defendido”, explicou.

O economista Augusto Mergulhão também acredita que a tendência é que os diretores optem por um corte na taxa de juros.


“Apesar de o ambiente externo ser desafiador com a guerra e a alta do Brent (petróleo), o grande fluxo de capital estrangeiro que entrou no Brasil nos últimos meses ajudou a cotação do dólar a cair bastante, o que favorece um corte modesto, ainda que cauteloso”, completa.

Outros analistas não acreditam que um possível corte seja a medida mais adequada para o momento. “Estamos projetando aqui no escritório um corte adicional de 0,25 ponto percentual, apesar de não concordar com cortes em um momento de incremento de pressão inflacionária”, aponta o economista Hugo Garbe.

Projeções do mercado

Os economistas do mercado financeiro mantiveram a estimativa para a taxa básica de juros no fim de 2026 em 13%, segundo o relatório de mercado Focus, divulgado pelo Banco Central na segunda-feira (27).

Considerando 154 projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, analistas projetam um corte de 0,25 ponto percentual. Além disso, diferente da última ata divulgada, a expectativa é de que os diretores sinalizem alguma projeção para junho.

A projeção para o fim de 2027 também se estabilizou em 11%. Um mês atrás, era de 10,50%. Considerando apenas as 107 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a mediana também continuou em 11%.

Na última ata, o comitê informou que a decisão era compatível com a estratégia de convergência da inflação à meta. “Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego”, disse o documento.

Apesar de os diretores ressaltarem o aumento da incerteza, principalmente por conta da guerra no Oriente, deixaram em aberto a duração do ciclo de cortes.

Segundo eles, a magnitude e a continuidade dos cortes serão definidas com o tempo, em essência, para que possam aumentar “a clareza sobre a profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente Médio, assim como seus efeitos diretos e indiretos sobre o nível de preços ao longo do tempo.

O que é a Selic?

A Selic representa o principal instrumento de controle do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo). Taxas elevadas encarecem o crédito, limitam o consumo e a produção e podem desacelerar o crescimento econômico.

Na prática, elevações na Selic aumentam os juros aplicados a financiamentos, empréstimos e cartões de crédito, desestimulando a demanda e contribuindo para a contenção da inflação.

Maior nível em 20 anos

Entre agosto de 2022 e junho de 2023, a Selic permaneceu em 13,75% ao ano. Em seguida, ocorreram seis cortes consecutivos de 0,5 ponto percentual e outro de 0,25, reduzindo a taxa para 10,5% em maio de 2024.

Esse patamar vigorou até setembro do mesmo ano, quando o Copom iniciou uma nova série de elevações, levando os juros para 10,75%.

Até fevereiro deste ano, houve sete aumentos sucessivos, levando a taxa a 15% — o nível mais elevado desde 2006. Em março, o Copom decidiu reduzir em 0,25 ponto percentual, fixando a taxa em 14,75%.

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