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Defasagem dos combustíveis da Petrobras volta a crescer com alta do dólar

Governo controla preços para combater inflação; perda de valor da estatal incomoda mercado

Economia|Do R7

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Importações da empresa são feitas em dólar
Importações da empresa são feitas em dólar

A defasagem dos preços dos combustíveis no mercado interno frente aos valores praticados no exterior voltou a crescer com a alta do dólar, apesar do declínio do preço do barril do petróleo nos Estados Unidos, que já caiu cerca de 15% desde o pico do ano, em meados de junho.

O movimento do câmbio traz um cenário desfavorável para as importações da Petrobras, que compra volumes importantes de petróleo e derivados no exterior.


As importações ficaram mais caras, com um real desvalorizado, justamente em um momento em que a defasagem dos preços de vendas dos combustíveis locais estava ficando menor frente aos valores externos, por conta da queda do valor do petróleo.

Segundo o ex-diretor-geral da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) entre 1998 e 2001, David Zylbersztajn, a Petrobras não teve "grandes ganhos" com o dólar se valorizando.


— Para a Petrobras, o bom negócio é quando ele (o petróleo) está alto e o câmbio bom, e ela coloca isso para dentro como caixa, para ela poder fazer investimento.

A moeda norte-americana acumulou alta de 9,33% frente o real no mês passado e tem crescido mais no início de outubro.


O governo, sócio majoritário da Petrobras, tem evitado fazer repasses da volatilidade externa do petróleo para reduzir a inflação.

Ex-diretor da Petrobras será monitorado por tornozeleira eletrônica:


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O petróleo nos EUA, que influencia os valores dos combustíveis norte-americanos (base de comparação com o mercado brasileiro), chegou a ser negociado na sessão desta quinta-feira no menor nível desde abril de 2013, a 88,18 dólares o barril, com preocupações com a demanda e a oferta abundante no mundo.

Em meados de agosto, quando a defasagem dos preços do diesel e da gasolina no Brasil havia atingido o menor patamar do ano - de 4 e 11%, respectivamente, segundo a GO Associados -, o preço do petróleo estava na faixa de 95 dólar/barril.

Mas agora, pelo câmbio, a diferença entre os preços externos e internos subiu para 15%, no caso da gasolina, e 10 por cento no diesel, segundo cálculos da SLW Corretora. A GO Associados não forneceu dados atualizados sobre a defasagem.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, presidente do Conselho de Administração da Petrobras, afirmou algumas vezes recentemente que os preços dos combustíveis da Petrobras são reajustados todos os anos. Ainda não houve reajuste em 2014.

O grande pleito do mercado é a mudança da política de preços de combustíveis, para que haja maior previsibilidade e periodicidade para os reajustes. A política combate a inflação no salário da população, mas faz a estatal perder o valor de mercado, o que é ruim para os investidores.

Reajustes e câmbio

O cenário de preços baixos do petróleo em um momento em que a Petrobras começa a entregar o aumento de produção é um desafio adicional para a petroleira.

Em relatório recente do HSBC Global Research, a instituição pontuou que a produção de petróleo crescente da estatal não é o suficiente para melhorar a situação da empresa, no que diz respeito às perdas na área de Abastecimento.

Relatório da entidade afirma que "é improvável que o crescimento da produção compense as perdas da área de Abastecimento no curto prazo".

O HSBC realizou um exercício para entender os efeitos que podem ser causados no Ebitda (importante indicador do desempenho operacional) da empresa um reajuste dos combustíveis e também o aumento da produção.

Segundo cálculos da instituição, um aumento do preço da gasolina de 10% pode ter o mesmo impacto que uma produção adicional de 100 mil barris por dia. Já um aumento no preço do diesel de 10 por cento representa algo como três vezes maior.

Para os analistas da instituição, em um cenário de taxa de câmbio a R$ 2,50 reais - o dólar fechou a R$ 2,4918 reais nesta quinta-feira (2) -, a Petrobras teria que ter um aumento de preços de 15% para compensar as perdas no refino.

O HSBC alerta ainda que a exposição da Petrobras à taxa de câmbio não está limitada à questão da paridade de preços e suas implicações de perdas e ganhos no negócio de refino.

Procurada, a Petrobras não comentou as informações.

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