Dólar avança e fecha a segunda-feira cotado a R$ 3,31
Alta de 0,59% da moeda norte-americana foi guiada pelos temores com cena política nacional
Economia|Do R7

Pela segunda sessão seguida, o dólar fechou em alta nesta segunda-feira (12), indo ao patamar de R$ 3,31, diante de temores dos investidores com a cena política brasileira e o andamento das reformas no Congresso Nacional.
O movimento acabou rompendo o teto informal de R$ 3,30 que vinha guiando o mercado após a crise envolvendo o governo do presidente Michel Temer ter eclodido.
Nesta sessão, o dólar avançou 0,59%, a R$ 3,3115 na venda, depois de acumular alta de 1,15% na semana passada. Na máxima do dia, a moeda norte-americana atingiu R$ 3,3278, maior cotação intradia desde 19 de maio (R$ 3,3471). O dólar futuro subia cerca de 0,5% no final da tarde.
"Ainda é cedo para dizer que o intervalo de R$ 3,25 a R$ 3,30 ficou para trás. Estamos vivendo dias de estresse. Depende do noticiário político", disse o gerente de câmbio do banco Ourinvest, João Marcelo Costa.
O novo desafio para o governo do presidente Michel Temer passa pelo PSDB agora. O partido se reúne nesta tarde para definir se continua na base governista depois que Temer foi absolvido pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) na sexta-feira.
Principal parceiro do governo, o PSDB deverá manter o apoio a Temer com "condicionantes", na avaliação de importantes quadros da legenda ouvidos pela Reuters, como o não surgimento de fatos novos que venham a inviabilizar a gestão do peemedebista.
O mercado também trabalhou com a expectativa de que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, possa denunciar Temer no STF (Supremo Tribunal Federal), onde o presidente já é investigado por crime, entre outros, de corrupção passiva.
Outro motivo de cautela do mercado foram eventuais desdobramentos da denúncia de que a Abin (Agência Brasileira de Inteligência) pode ter sido acionada por Temer para vasculhar a vida do ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no STF.
No final de semana, a presidente do STF, ministra Cármen Lúcia, fez duras críticas à possibilidade de espionagem contra Fachin e classificou a denúncia como "gravíssimo crime".
"O mercado está enxergando que não é tão interessante ficar vendido em dólar. Há o temor de Temer ficar mais preocupado em se segurar no cargo do que em governar", comentou o operador de câmbio de uma corretora nacional.
O Banco Central brasileiro vendeu integralmente a oferta de até 8.200 swaps cambiais tradicionais — equivalente à venda futura de dólares — para rolagem dos contratos que vencem julho. Com isso, já rolou US$ 2,050 bilhões do total de US$ 6,939 bilhões que vence no mês que vem.















