Dólar cai 0,25%, a R$ 5,15, e Ibovespa sobe com decisão sobre juros
O índice de referência do mercado acionário brasileiro subiu 0,62%, a 112.516,9, na véspera de reuniões monetárias
Economia|Do R7

O dólar caiu frente ao real pelo segundo dia consecutivo nesta terça-feira (20), depois de muito vaivém durante a sessão, com um alívio em temores político-fiscais domésticos compensando o nervosismo externo antes da decisão de juros nos Estados Unidos.
Após trocar de sinal várias vezes ao longo das negociações, a moeda americana à vista fechou em queda de 0,25%, a R$ 5,1537, estendendo suas perdas depois de na véspera registrar sua maior desvalorização diária desde o fim de julho, de 1,79%.
O real passou boa parte deste pregão com o melhor desempenho entre uma cesta das principais moedas do mundo, apesar da força generalizada do dólar no exterior.
Na B3, às 17h11 (de Brasília), o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento caía 0,62%, a R$ 5,1570.
Já o Ibovespa fechou em alta nesta terça-feira, apoiado no avanço de ações de bancos, no fim de uma sessão volátil, em véspera de decisões de política monetária nos Estados Unidos e no Brasil, com a queda dos papéis da Vale atuando como contrapeso.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 0,62%, a 112.516,91 pontos, indo da mínima de 111.393,16 pontos à máxima de 112.543,88 pontos. O volume financeiro da sessão somou R$ 26,5 bilhões.
Na visão de Fabrício Gonçalvez, presidente-executivo da Box Asset Managemet, a expectativa "superquarta" ditou cautela nos negócios. O avanço das ações dos bancos fez a diferença.
Fornecendo alento aos ativos brasileiros, continuou repercutindo nos mercados locais o anúncio da véspera de apoio do ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles à campanha eleitoral do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O posicionamento de Meirelles, um liberal que ajudou a criar a regra do teto de gastos durante o governo do ex-presidente Michel Temer, a favor do petista reduziu temores de investidores de que eventual governo Lula seria exageradamente inclinado ao aumento das despesas públicas.
André Rolha, diretor de produtos da Venice Investimentos, reconheceu o efeito dessa notícia no bom desempenho dos ativos brasileiros, mas disse que não a vê como o único motivo por trás do alívio recente no mercado de câmbio.
"Acredito que os fundamentos locais ainda jogam muito a favor do câmbio, dos juros... e da Bolsa", afirmou, citando números de crescimento econômico positivos e "lição de casa antecipada" do Brasil no combate à inflação, depois que o Banco Central foi um dos primeiros no mundo a iniciar o que se tornaria um longo e agressivo ciclo de aperto monetário.
A taxa Selic está atualmente em 13,75%. A maior parte dos mercados financeiros acredita que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Bacen já terminou de aumentá-la, mas há quem espere que o colegiado eleve os juros em mais 0,25 ponto percentual, a 14%, ao fim de sua reunião deste mês, que começou nesta terça-feira e se encerrará na quarta.
O patamar elevado dos juros locais é considerado por especialistas como um colchão para o real diante de um cenário global adverso, já que torna a moeda local atraente para estratégias de "carry trade". Elas consistem na tomada de empréstimo num país de taxas baixas e investimento desse capital em mercado mais rentável, de forma que se lucra com o diferencial de juros.
Apesar da leve queda do dólar ante o real nesta sessão, investidores ainda se mostravam cautelosos diante da alta probabilidade de que o Federal Reserve suba sua taxa de juros em, pelo menos, 0,75 ponto percentual ao fim de seu encontro de política monetária, que se encerrará na quarta.
O mercado vê pequenas chances de o banco central dos EUA promover ajuste ainda maior nos custos dos empréstimos, de 1 ponto percentual.
Com esse pano de fundo, o índice do dólar contra uma cesta de pares fortes subia mais de 0,5% nesta tarde, enquanto as principais Bolsas globais e os preços dos títulos de países desenvolvidos caíram.
"Num mundo onde os bancos centrais estão aumentando agressivamente os juros (ruim para renda fixa) para apertar as condições financeiras (ruim para as ações), então o único lugar para se esconder é no dólar", disse o Citi em relatório desta terça-feira. "Isso torna o dólar uma moeda de alto carrego e alta qualidade que atua como proteção contra a queda de ativos de risco."















