Dólar cai a R$ 3,30, mas encerra março em alta
Recuo de 0,93% na última sessão do mês não foi suficiente para impedir alta de 1,77% da moeda em março
Economia|Do R7

O dólar terminou a quinta-feira em queda na casa de R$ 3,30, com fluxo de venda influenciando na trajetória da moeda norte-americana após a formação da taxa Ptax de final de mês e se sobrepondo à cautela antes do final de semana prolongado de Páscoa.
Na última sessão do mês, o dólar recuou 0,93%, a R$ 3,3001 na venda, acumulando, na semana, queda de 0,58%. Foi a primeira queda semanal após uma sequência de cinco altas.
Pelo segundo mês seguido, terminou em elevação, de 1,77%, mas ainda acumula queda no ano, de 0,43%. O dólar futuro tinha baixa de 0,14%.
"O dólar começou a se acomodar após um período de alta volatilidade", comentou um profissional de mesa de câmbio ao citar também ingresso de recursos nesta tarde e o exterior mais tranquilo para justificarem o recuo da moeda nesta quinta-feira.
Depois de um mês de março turbulento em meio a grandes preocupações sobre uma possível guerra comercial após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter aplicado tarifas de importação para aço e alumínio e também em até 60 bilhões de dólares em exportações chinesas, a expectativa é de que abril não tenha um início muito fácil.
Na próxima semana, as atenções estarão voltadas para o julgamento, pelo STF (Supremo Tribunal Federal), de um habeas corpus pedido pela defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no caso do tríplex do Guarujá.
"Se o STF não afastar o habeas corpus ou se prorrogar a decisão, o mercado deve azedar o humor", considerou o superintendente da Correparti Corretora, Ricardo Gomes da Silva.
Diante dessa preocupação já no início do mês, é possível que o Banco Central sinalize logo a intenção de fazer leilões para rolagem integral de swaps cambiais tradicionais — equivalente à venda futura de dólar — de maio, que somam US$ 2,565 bilhões.
"A chance de tirar o swap é zero, por ora", destacou o diretor de Tesouraria de um banco estrangeiro.
Os dados sobre a economia norte-americana também continuam sendo observados com muita atenção. Depois de subir os juros dos Estados Unidos pela primeira vez este ano, o Federal Reserve indicou na semana passada, que deve promover mais duas elevações em 2018. Mas se a economia ganhar ainda mais tração e a inflação se encaminhar para a meta, podem crescer as apostas de um aperto adicional nos juros neste ano.
"E com o juro caindo no Brasil, o diferencial de juros fica menor, o que pode afastar o investidor a depender da aversão ao risco para os emergentes", acrescentou o operador da Advanced Corretora, Alessandro Faganello.
Nesta sexta-feira, o BC fez leilão de linha, venda de dólares com compromisso de recompra, no qual aceitou uma oferta, que levou o lote total de US$ 2 bilhões.
Os investidores passaram o dia monitorando o exterior, uma vez que ainda não foi esvaziada completamente a preocupação com eventual guerra comercial global impulsionada pelos Estados Unidos e pela China.
Lá fora, o dólar operava estável ante a cesta de moedas, após saltar na sessão exterior, mas operadores disseram que a perspectiva para a moeda norte-americana permanecia negativa, conforme se dirigia para seu quarto trimestre consecutivo de perdas.
O dólar também cedia ante algumas divisas de países emergentes, como o peso mexicano.















