Dólar cai e volta a valer menos de R$ 3,90
Queda da moeda norte-americana foi puxada por cautela sobre decisão do BC dos EUA
Economia|Do R7

O dólar fechou em queda sobre o real nesta terça-feira (27), com investidores adotando cautela na véspera da decisão do Federal Reserve, banco central norte-americano, em mais um dia marcado por poucos negócios em meio às intensas incertezas políticas e econômicas no Brasil.
O dólar recuou 0,51%, a R$ 3,8969 na venda. A moeda norte-americana chegou a R$ 3,8872 na mínima do dia e foi a R$ 3,9340 na máxima, em movimentos amplificados pela liquidez reduzida.
"O mercado esvaziou nos últimos dias. Ninguém quer ficar exposto nesse cenário de volatilidade elevada e incerteza política", disse o gerente de câmbio da corretora BGC Liquidez, Francisco Carvalho.
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No mercado futuro de dólares, apenas cerca de 227 mil contratos para novembro haviam trocado de mãos pouco depois das 17h, bem abaixo da média diária de 330 mil apurada no mês passado. A liquidez baixa tem deixado o mercado mais sensível a operações pontuais, aumentando a volatilidade também no mercado à vista.
Isso porque atritos entre o Palácio do Planalto e o Congresso, além da crescente deterioração das contas públicas do País, têm levado investidores a adotarem estratégias mais defensivas. O medo é que o Brasil perca seu selo de bom pagador com outras agências de classificação de risco além da Standard & Poor's, o que provocaria fuga de capitais.
Nesta tarde, o relator do projeto de lei que altera a meta fiscal deste ano, deputado Hugo Leal (Pros-RJ), afirmou que o governo reconhecerá déficit primário de R$ 51,8 bilhões em 2015 diante do cenário de recessão, cifra que não considera o pagamento das chamadas "pedaladas fiscais".
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Nesta semana, a reunião do Fed também serviu de motivo para cautela. O mercado espera amplamente que os juros norte-americanos sejam mantidos perto de zero na quarta-feira, em meio a preocupações com a possibilidade de a fraqueza na economia mundial, sobretudo na China, contaminar a recuperação da economia dos EUA. Dados fracos sobre o setor de serviços e as encomendas de bens duráveis divulgados nesta terça-feira reforçaram essa percepção.
Para a reunião de quarta-feira, investidores esperam sinalização mais contundente sobre a trajetória da política monetária norte-americana no curto prazo. Alguns, inclusive, esperam que o Fed não eleve os juros nem em dezembro, quando se reúne novamente.
"Mais importante do que a decisão em si vai ser a sinalização [do Fed]. A possibilidade de os juros subirem agora é muito remota", disse o operador de uma corretora internacional.
Nesta manhã, o Banco Central brasileiro deu continuidade à rolagem dos swaps cambiais que vencem em novembro, vendendo a oferta total de até 10.275 contratos, equivalentes à venda futura de dólares. Até agora, a autoridade monetária já rolou US$ 9,216 bilhões, ou cerca de 90% do lote total, que corresponde a US$ 10,278 bilhões.















