Economia Dólar começa setembro em queda e fecha a terça-feira cotado a R$ 5,38

Dólar começa setembro em queda e fecha a terça-feira cotado a R$ 5,38

Queda de 1,75% da moeda norte-americana foi guiada por sinais benignos do governo com relação à agenda de reformas e de equilíbrio fiscal

Reuters

Gary Cameron/Reuters

O dólar fechou em queda ante o real nesta terça-feira (1º), começando setembro repercutindo sinais benignos do governo com relação à agenda de reformas e de equilíbrio fiscal em dia de PIB no Brasil, enquanto no exterior a moeda norte-americana seguiu em trajetória de baixa.

Na primeira sessão do mês, a moeda norte-americana caiu 1,75%, a R$ 5,385, menor patamar desde 13 de agosto (R$ 5,3675).

O mercado gostou de sinais do presidente Jair Bolsonaro sobre envio da reforma administrativa ao Congresso na próxima quinta-feira, depois de sucessivos adiamentos e muita resistência por parte do próprio presidente.

Além disso, o ministro da Economia, Paulo Guedes, mencionando orientação dada por Bolsonaro, disse que o Renda Brasil, que está sendo gestado para reunir programas sociais numa só iniciativa, será estudado por mais tempo e deverá mirar o andar de cima para reforçar o andar de baixo.

Ainda nesta terça, Bolsonaro anunciou que o valor do auxílio emergencial que será pago pelo governo federal a vulneráveis até o final do ano por causa da pandemia de coronavírus será de R$ 300 mensais. "(Isso) é sinal de que, se houver boa vontade, o dólar responde em uma magnitude maior", disse um experiente profissional em trade de dólar.

O mercado vinha nas últimas semanas elevando prêmios de risco diante de temores de postura fiscal mais leniente da parte do governo e de perda de influência de Guedes em meio a pressões por setores do Executivo por mais gastos.

O sinal positivo do lado fiscal emitido nesta terça por Bolsonaro junto a Guedes ocorreu no mesmo dia em que o IBGE reportou tombo de 9,7% na economia brasileira no segundo trimestre sobre o primeiro — resultado pior que o esperado.

Ainda assim, predomina no mercado análise de que a economia segue em recuperação, qualificada pelo economista do Itaú Unibanco Luka Barbosa como "robusta". O UBS Brasil elevou a projeção para o desempenho da economia no terceiro trimestre e no ano de 2020 como um todo.

"E ainda estamos em movimento alinhado à queda do dólar no exterior", lembrou Fernando Bergallo, CEO da FB Capital, citando fatores externos como adicionais à reação positiva do mercado à indicação do presidente sobre a agenda de reformas.

O real liderou os ganhos entre as principais divisas nesta sessão, seguido por outras moedas emergentes como rand sul-africano (+1,7%), peso colombiano (+1,6%) e peso chileno (+0,6%).

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