Dólar despenca e atinge o menor valor em mais de 1 ano
Moeda norte-americana recuou 1,43% e chegou ao menor fechamento desde julho de 2015
Economia|Do R7

O dólar recuou quase 1,5% e encerrou abaixo de R$ 3,20 nesta quinta-feira (4), menor nível de fechamento em mais de um ano, com operadores citando o corte dos juros britânicos e fluxos de entrada de recursos externos relacionados a operações corporativas.
O dólar recuou 1,43%, a R$ 3,1945 na venda, menor fechamento desde 21 de julho de 2015 (R$ 3,1732). A moeda norte-americana chegou a 3,1935 reais na mínima do dia. O dólar futuro perdia cerca de 1,4% no fim desta tarde.
"As medidas do Banco da Inglaterra dão alento ao mercado, confirmam as expectativas de que os bancos centrais estão atentos a qualquer volatilidade", disse o operador da corretora Correparti Ricardo Gomes da Silva.
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O banco central britânico cortou sua taxa de juros pela primeira vez desde 2009 e informou que vai comprar mais 60 bilhões de libras em títulos públicos para amortecer o impacto do referendo que decidiu pela saída do Reino Unido da União Europeia.
Juros mais baixos no Reino Unido tendem a aumentar a atratividade relativa de ativos que oferecem rendimentos altos, como no Brasil. Além disso, parte dos capitais injetados pelo banco central britânico na economia tende a migrar para mercados emergentes.
No cenário local, operadores citaram ainda um fluxo positivo de mais de US$ 1 bilhão feito por uma grande empresa, que teria contribuído para puxar a moeda norte-americana para baixo nesta sessão.
Muitos investidores esperam que o Brasil receba cada vez mais recursos externos daqui para frente, após anúncios de diversas captações externas. Na véspera, a Vale vendeu US$ 1 bilhão em títulos internacionais, seguindo-se a emissões de empresas como Petrobras e Marfrig.
Por sua vez, alguns esperam que o julgamento do impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff, que deve ser concluído no fim deste mês, sirva de gatilho para atrair mais investimento de fora, revertendo a tendência de saídas financeiras que vem sendo apontada pelos dados do Banco Central há meses.
Nesta quinta-feira, a comissão especial do Senado que analisa o impeachment de Dilma aprovou o parecer pela pronúncia da petista, considerando que há elementos suficientes para levá-la a julgamento final por crime de responsabilidade.
Estrategistas do banco BNP Paribas esperam que a moeda norte-americana termine setembro em R$ 3,20 e fique praticamente neste nível até o fim do ano. Segundo os economistas do banco, o dólar voltaria a subir em 2017, a R$ 3,60 no final do período.
Ainda assim, investidores continuaram demonstrando alguma preocupação com as dificuldades que o governo do presidente interino Michel Temer enfrenta para aprovar medidas de austeridade fiscal no Congresso Nacional.
Na véspera, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, minimizou a relevância do adiamento da votação da renegociação das dívidas dos Estados com a União no Congresso Nacional, que havia alimentado preocupações nos mercados financeiros.
"O mercado sabe que não vai ser fácil conseguir a colaboração do Congresso para controlar o crescimento do gasto público", disse o operador da corretora Spinelli José Carlos Amado.
Outro fator que deve movimentar os negócios no curto prazo é o relatório de criação de vagas de trabalho nos Estados Unidos fora do setor agrícola, que será divulgado na sexta-feira. O número pode afetar as expectativas sobre quando os juros norte-americanos começarão a subir, com a maioria dos operadores enxergando chances pequenas de alguma elevação neste ano.
Nesta manhã, o Banco Central brasileiro vendeu novamente 10 mil swaps reversos, contratos que equivalem à compra futura de dólares. A autoridade monetária vem atuando dessa forma quase diariamente desde o mês passado.















