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Dólar dispara e vai a R$ 3,85 após Brasil perder selo de bom pagador

Intervenção do BC fez moeda norte-americana terminar longe da máxima da sessão

Economia|Do R7

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A percepção nas mesas de operações é que o dólar tende a subir a máxima histórica de quase R$ 4 em breve
A percepção nas mesas de operações é que o dólar tende a subir a máxima histórica de quase R$ 4 em breve

O dólar fechou com alta superior a 1% nesta quinta-feira (10), na casa de R$ 3,85, após a agência de classificação de risco Standard & Poor's retirar o selo de bom pagador do Brasil, mas a intervenção do BC (Banco Central) e a percepção de que a Fitch deve manter por enquanto o grau de investimento do País levaram a moeda norte-americana a terminar longe da máxima da sessão, a R$ 3,91.

O dólar avançou 1,34%, a R$ 3,8504 na venda. De maneira geral, a percepção nas mesas de operações é que o dólar tende a subir a máxima histórica de quase R$ 4 em breve, em uma trajetória volátil.


Na máxima da sessão, logo após a abertura, a divisa dos Estados Unidos saltou 3,1% e alcançou R$ 3,9173, também o maior nível intradia desde 23 de outubro de 2002 (R$ 3,92). Foi em 10 de outubro daquele ano que o dólar atingiu seus recordes intradia e de fechamento, de R$ 4 e R$ 3,99, respectivamente.

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"O dólar perto de R$ 4 está precificando tudo que está acontecendo", resumiu o gerente de câmbio da corretora BGC Liquidez, Francisco Carvalho, ressaltando que novos problemas na política e na economia no Brasil, bem como altas da moeda norte-americana nos mercados externos, devem elevar ainda mais a cotação da divisa ante o real.


A S&P rebaixou o Brasil para "BB+", ante "BBB-", dias após o governo prever inédito déficit primário em 2016. Além de remover o grau de investimento, a agência sinalizou que pode colocar o país ainda mais para dentro do território especulativo, ao manter a perspectiva negativa para a nota de crédito brasileira, o que significa que novo rebaixamento pode ocorrer no curto prazo.

Além de se surpreender com a velocidade da ação da S&P, o mercado também se decepcionou com a entrevista coletiva do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, durante a tarde. "O discurso foi desnecessário. Não falou nada", disse o especialista em câmbio da corretora Icap, Italo Abucater.


O avanço da moeda norte-americana foi amortecido, no entanto, porque o BC anunciou leilão de venda de até US$ 1,5 bilhão com compromisso de recompra. Segundo a assessoria de imprensa da autoridade monetária, a operação não serve para rolar uma linha já existente.

A taxa de corte ficou em R$ 4,014460 na primeira etapa da operação, com data de recompra em 4 de janeiro de 2016. Na segunda, para 4 de abril de 2016, a taxa de corte ficou em R$ 4,121420.

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O BC também deu continuidade à rolagem dos swaps cambiais que vencem em outubro, vendendo a oferta total de até 9.450 contratos, que equivalem à venda futura de dólares. Ao todo, já foram rolados o correspondente a US$ 3,181 bilhões, ou cerca de 33% do total de US$ 9,458 bilhões e, se continuar neste ritmo, vai recolocar o todo o lote até o fim deste mês.

Declarações da analista sênior da Fitch Shelly Shetty de que a agência ainda vê elementos apoiando o grau de investimento do Brasil também aliviaram um pouco a pressão cambial, ao reduzir as expectativas de que o País poderia perder o selo de bom pagador por outras agências. A Fitch classifica o Brasil atualmente em "BBB", com perspectiva negativa, ainda dois níveis acima do grau especulativo.

"Mas ainda tem muita coisa para acontecer, muita volatilidade. O jeito é comprar [dólares] na baixa e vender na alta, no intradia", disse o operador de uma corretora nacional.

Para o gestor da Absolute Investimentos Roberto Campos, a alta da moeda norte-americana, apesar de intensa, tem sido "comportada", sem grandes fluxos de saída de dólares no mercado à vista. "Quem quer vender Brasil, tem feito no mercado futuro, pensando que volta [ao País] quando a poeira baixar", explicou.

Em agosto, o Brasil registrou entrada líquida de US$ 4,111 bilhões, refletindo ingressos tanto na conta financeira quanto na comercial.

"A dúvida é se em algum momento isso vai mudar, se vão colocar em questão as instituições do Brasil. Eu acho que estamos muito perto de virar essa chave", disse Campos.

Ele acredita que, se esse estresse se concretizar, o BC pode reforçar sua intervenção no câmbio com vendas no mercado à vista. "Grande parte da decisão de usar as reservas (internacionais) diz respeito à questão do grau de investimento. A partir do momento em que perdeu o grau de investimento, o BC fica mais livre para atuar no caso de um estresse."

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