Dólar fecha em R$ 2,41 e Bolsa de SP tem pior janeiro desde 1995
Enquanto a moeda norte-americana caiu 0,12%, Ibovespa teve alta de 0,84% nesta sexta (31)
Economia|, com Reuters

Depois de uma semana de altas seguidas, o dólar caiu 0,12% e fechou cotado a R$ 2,412 na venda nesta sexta-feira (31).
Apesar do resultado positivo de hoje, a moeda norte-americana registrou alta acumulada de 2,33% em janeiro — o seu quarto mês seguido de valorização ante o real, com ambiente de maior aversão ao risco sobre mercados emergentes.
Neste período de quatro meses, a valorização foi de 8,85%. Segundo dados da Bolsa de São Paulo, o giro financeiro ficou em R$ 2,8 bilhões (US$ 1,2 bilhão) de dólares no dia.
Apesar de ter fechado em alta de 0,84% nesta sexta-feira, para 47.638 pontos, a Bolsa de Valores de São Paulo, por sua vez, registrou o pior desempenho para o mês de janeiro desde 1995.
No mês, o Ibovespa acumulou perdas equivalentes a 7,5%, enquanto na semana caiu 0,30%, resultado influenciado pelo cenário global de aversão ao risco e pela desconfiança de investidores em relação ao Brasil.
Valorização do dólar
Segundo analistas, já não há tanto espaço para o dólar continuar subindo muito em relação ao real no curto prazo, o que diminui a expectativa de que o BC (Banco Central) brasileiro intensifique suas intervenções no câmbio.
O economista-chefe do banco J. Safra e ex-secretário do Tesouro, Carlos Kawall, não espera uma valorização maior daqui pra frente.
— Já dá para perceber que o dólar não está numa escalada contra o real. Podemos ver volatilidade, mas não espero muito mais alta.
Ativos de países em desenvolvimento vêm sendo fortemente pressionados desde a semana passada em meio ao mau humor mundial com mercados emergentes, levando o dólar a chegar a encostar em R$ 2,45 nesta semana no intradia.
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Neste período, o avanço da divisa norte-americana contra o real não foi tão intenso quanto em outros mercados, mas já havia subido bastante nos meses anteriores. Só em janeiro, o dólar subiu cerca de 5% sobre a lira turca e o rand sul-africano.
O diretor de câmbio da corretora Pioneer, João Medeiros, disse que vê o dólar, no máximo, em torno de R$ 2,45.
— Esses níveis de agora (do dólar ante o real), que já incluem tudo que a gente subiu ano passado, parecem adequados.
Neste contexto, acrescentou ele, não há necessidade de que o BC intensifique a intervenção no câmbio.
A autoridade monetária deu continuidade às atuações diárias nesta sexta-feira vendendo a oferta total de até 4 mil contratos de swap cambial tradicional — equivalentes a venda futura de dólares —, distribuídos entre 3 mil com vencimento em 1º de setembro e 1 mil para 1º de dezembro deste ano. A operação teve volume equivalente a US$ 197,6 milhões.
Além disso, fez leilões de linha para rolagem de até US$ 2,3 bilhões. Nesta sessão, a divisa norte-americana chegou a subir de forma mais expressiva ante o real, reagindo à briga pela formação da Ptax de janeiro e ao ambiente global de aversão ao risco que levava investidores a se refugiar no dólar.
Após o fechamento da Ptax, no início da tarde, o dólar reduziu a alta, em linha com o arrefecimento da pressão sobre outros mercados emergentes.












