Dólar sobe 1,64% e chega a R$ 2,25 com crise na Ucrânia
Mercado está preocupado com crise na ucrânia e espera menor entrada de recursos no País
Economia|Do R7

O dólar subiu 1,64% nesta quinta-feira (17) e chegou a cotação de R$ 2,2588 na venda. Passou do piso "informal" de R$ 2,25 pela primeira vez desde 5 de junho, quando fechou em R$ 2,2608.
A bolsa apresentou preocupação com o aprofundamento da crise na Ucrânia e expectativa de menor ingresso de recursos no Brasil.
Para o operador de câmbio da corretora Intercam, Glauber Romano, o noticiário tem influenciado a desvalorização do real frente ao dólar.
— Tivemos mais notícias relevantes hoje do que em toda a semana passada e absolutamente nenhuma delas foi favorável ao real.
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A aversão ao risco foi generalizada nos mercados globais. Um avião de empresa aérea da Malásia foi derrubado no espaço aéreo ucraniano, perto da fronteira russa, causando 295 mortes nesta quinta e aprofundando drasticamente o conflito entre o governo de Kiev e os rebeldes pró-Rússia.
A notícia piorou o humor dos investidores, já abalado após os Estados Unidos e a União Europeia anunciarem na véspera maiores sanções contra a Rússia por conta da crise na Ucrânia. Elas afetam empresas russas como o terceiro maior banco do país, o Gazprombank, e a Rosneft Oil, maior produtora de petróleo da Rússia.
O economista-chefe do Espírito Santo Investment Bank, Jankiel Santos, acredita que os investidores tem medo de a tragédia na Ucrânia piorar o conflito na região.
— Não temos informações detalhadas sobre o avião.
Investidores evitaram, então, ativos mais arriscados e buscaram outros considerados mais seguros, como o dólar e o iene. A aversão ao risco também derrubou os rendimentos da dívida pública dos EUA e os preços das ações em Wall Street.
Brasil
A alta do dólar no País também refletiu expectativas de menor fluxo de entrada de divisas para a economia brasileira, após o BC manter na véspera a taxa básica de juros em 11% ao ano na quarta-feira (17).
O Comitê de Política Monetária (Copom) do BC manteve no comunicado divulgado após a reunião que a expressão "neste momento", o que foi entendido por especialistas como uma indicação de que o futuro da política monetária está em aberto.
No mercado de juros futuros, a curva de DIs passou a embutir apostas de aumento menor da Selic em 2015, diante do cenário de atividade mais fraca, o que poderia contribuir para redução no ingresso de divisas no país.
"Uma mudança na expectativa de juros afeta o dólar, porque torna os ativos brasileiros menos atraentes", explicou o economista da corretora H.Commcor Waldir Kiel.
O avanço do dólar ganhou mais tração na reta final da sessão, após a moeda dos EUA superar o teto da banda informal de flutaçao da moeda norte-americana, entre R$ 2,20 a R$ 2,25. Boa parte do mercado acredita que esse intervalo agradaria ao BC por não ser inflacionário e não prejudicar as exportações.
Segundo operadores, quando a cotação superou essa resistência, disparou pedidos automáticos de compra de divisa, colocados por investidores vendidos em dólares com objetivo de limitar suas perdas.
Entretanto, analistas afirmam que a moeda dos EUA deve voltar a patamares mais baixos em breve, com investidores se antecipando a uma possível ação do BC para trazer o dólar para baixo.
Um operador de uma corretora afirmou à reportagem da agência Reuters que o mercado "logo se assusta" quando a cotação da divisa estadunidense bate os R$ 2,25.
Pela manhã, a autoridade monetária vendeu a oferta total de até 4 mil swaps cambiais, que equivalem a venda futura de dólares, com vencimento em 2 de fevereiro de 2015, no valor correspondende de R$ 449,25 milhões (US$ 198,8 milhões). Também foram ofertados swaps para 1º de junho de 2015, mas nenhum foi vendido.
O BC vendeu a oferta total de até 7 mil swaps para rolagem dos contratos que vencem em agosto. Ao todo, o BC já rolou cerca de 36 por cento do lote total, que corresponde a R$ 21,39 bilhões (US$ 9,457 bilhões).
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