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Dólar sobe a R$ 2,38 apesar de atuação do Banco Central

Moeda norte-americana acumula altas consecutivas durante esta semana

Economia|Do R7

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Dólar atingiu maior valor em mais de quatro anos nesta semana
Dólar atingiu maior valor em mais de quatro anos nesta semana

O dólar disparava ante o real nesta sexta-feira (16), tocando o patamar de R$ 2,38 pela primeira vez em mais de quatro anos, na medida em que investidores aproveitavam a alta generalizada da moeda dos Estados Unidos para pressionar o BC (Banco Central) a atuar com mais intensidade nos mercados.

A divisa norte-americana vem registrando forte escalada ante o real devido ao pessimismo dos investidores com os fundamentos da economia brasileira, aliado à expectativa de que os EUA comecem em breve a cortar seu programa de estímulo monetário, reduzindo o apetite do mercado por ativos de risco.


Às 15h11, o dólar avançava 2,2%, para R$ 2,39 na venda, após tocar 2,3908 reais na máxima do dia, maior patamar intradiário desde 6 de março de 2009. Segundo dados da BM&F, o giro financeiro estava em torno de US$ 777 milhões. O diretor-executivo da NGO Corretora, Sidnei Nehme afirma de onde vem a pressão.

— As empresas não têm interesse em swap com dólar neste nível, então quem está comprando os contratos são os especuladores. Além disso, o mercado à vista está sem liquidez. A pressão vem daí. O BC precisa mudar de estratégia. 


Os swaps vinham atendendo à demanda de empresas que buscavam proteger seus ativos em dólar do esperado fortalecimento da divisa norte-americana. Para Nehme, no entanto, essa operação deixou de ser interessante num momento em que o dólar renova constantemente máximas em anos.

— Quem já fez (hedge), fez. Quem não fez, prefere ficar nessa taxa.


O BC atuou em dois momentos nesta sessão. O primeiro, logo no início do pregão, fazendo leilão de rolagem de contratos de swap cambial tradicional — equivalente à venda futura de dólarque vencem em setembro deste ano. Na quinta-feira, O BC anunciou que irá rolar 100.800 contratos de swap cambial, no valor similar a 5,04 bilhões de dólar.

Nessa primeira intervenção, foi vendido o lote total de 20 mil contratos com vencimento em 1º de abril do ano que vem. O volume financeiro foi equivalente a US$ 989 milhões.


No segundo leilão, no entanto, o BC vendeu 21,6 mil contratos para 1 de novembro de 2013 e 1 de abril de 2014, pouco mais da metade da oferta total de 40 mil contratos. O volume financeiro foi equivalente a US$ 1,076 bilhão.

DÚVIDAS SOBRE ESTRATÉGIA

Analistas do mercado têm destacado que a autoridade monetária não conseguirá reverter a tendência de alta sem atuar no mercado à vista. Na quinta-feira, no entanto, o BC afirmou em comunicado que "continuará com sua política de intervenções pontuais no mercado futuro de câmbio", declaração que foi interpretada por investidores como um sinal de que, por enquanto, o BC não pretende vender dólares no mercado spot.

Segundo Nehme, a autoridade monetária pode escolher, ainda, voltar aos mercados por meio de leilões de linha.

— Dessa maneira, ele pode convencer os bancos a fornecer essa liquidez que está faltando.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse nesta sexta-feira que o Brasil tem armas para enfrentar a volatilidade cambial e ressaltou que o País ainda não fez uso de suas reservas.

Apesar de as preocupações sobre o rumo da política monetária dos EUA afetarem todos os mercados emergentes, o real tem se enfraquecido mais do que outras moedas devido à falta de confiança dos investidores no desempenho da economia brasileira.

Para o banco Barclays, o dólar terá elevação gradual chegando a R$ 2,45 nos próximos 12 meses. Já o banco Brasil Plural prevê que, no curto prazo, o dólar pode bater o patamar de R$ 2,50. Analistas do banco disseram estar preocupados. 

— Estamos preocupados que a deterioração dos fundamentos brasileiros (conta fiscal pior, aumento do déficit em conta corrente e falta de planejamento de longo prazo do governo) levará a um downgrade (da nota brasileira) de crédito no primeiro trimestre de 2014, o que pressionará mais o real.

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