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Dólar sobe a R$ 3,80 após ameaça de agência de risco

Alta da moeda foi influenciada pela possibilidade do Brasil perdeu selo de bom pagados

Economia|Do R7

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Na máxima do dia, a moeda dos EUA atingiu o patamar de R$ 3,81
Na máxima do dia, a moeda dos EUA atingiu o patamar de R$ 3,81

O dólar fechou em alta de 1,7%, voltando a R$ 3,80 nesta quinta-feira (10), reagindo à decisão da Moody's de ameaçar tirar o selo de bom pagador internacional do Brasil, mas operadores ressaltaram que a pressão não deve se estender porque muitos já trabalham com o cenário de perda do grau de investimento nos próximos meses.

Na máxima do dia, a moeda norte-americana atingiu o patamar de R$ 3,8117.


"A realidade é que a situação doméstica continua bastante preocupante, seja no quesito econômico ou político, e a decisão da Moody's serviu como um gatilho para o mercado realizar um pouco", disse o operador da corretora Intercam Glauber Romano.

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Na véspera, a Moody's colocou o rating "Baa3" do Brasil em revisão para rebaixamento, o que significa que uma ação sobre a nota pode acontecer em até 90 dias. Se o corte na classificação se concretizar, o país perderia o grau de investimento por duas importantes agências, obrigando muitos fundos a vender os ativos brasileiros que detêm.

A visão dos operadores é que o dólar pode até sofrer algum estresse no curto prazo, mas não deve voltar a R$ 4 em reação ao rebaixamento.


"Eu diria que o mercado já deu conta de boa parte do ajuste que precisa ser feito para incorporar o downgrade", disse um operador de uma gestora de recursos internacional.

Ele afirmou que não é incomum que o mercado se antecipe ao movimento das agências de classificação de risco, lembrando que o dólar vem sendo negociado perto dos níveis em que se encontrava antes de a Standard & Poor's rebaixar o país para o grau especulativo, em setembro.


"Talvez o downgrade venha um pouco mais cedo do que alguns esperavam, mas isso está longe de ser algo que muda o jogo", acrescentou.

O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, afirmou que a decisão da Moody's reflete a atual situação do país e defendeu que é preciso ter união para fazer reformas.

Operadores ressaltaram ainda que a atuação do Banco Central tende a suavizar os movimentos do câmbio. O BC fez nesta tarde leilão de venda de até US$ 500 milhões com compromisso de recompra, operação que não tem como objetivo a rolagem de contratos já existentes.

Pela manhã, o BC também deu sequência à rolagem dos swaps cambiais que vencem em janeiro, com oferta de até 11.260 contratos, que equivalem à venda futura de dólares. Até agora, a autoridade monetária já rolou o equivalente a US$ 4,378 bilhões, ou cerca de 41% do lote total, que corresponde a US$ 10,694 bilhões.

O dólar passou toda a sessão em alta, mas acelerou as perdas na reta final do pregão, reagindo a um fluxo de saída de recursos cujo efeito foi potencializado pelo baixo volume de negócios. A liquidez nos mercados brasileiros tem sido comprometida pela incerteza política.

O mercado está sendo praticamente guiado pelos acontecimentos políticos, sobretudo diante do processo de abertura de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff, que tem tomado conta das ações no Congresso Nacional.

O mercado tem reagido de forma positiva a notícias que fortalecem as chances de impeachment, apostando que mudanças no Palácio do Planalto poderiam ajudar a recuperação econômica. No entanto, muitos operadores ressaltam que a instabilidade política pode paralisar o ajuste fiscal, o que deixa o mercado cambial mais sensível e volátil.

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