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Dólar sobe cerca de 1,5%, em direção a R$ 3,65, após intervenção do BC

A operação vem no momento em que a crise política alimenta apostas no impeachment de Dilma

Economia|Por Bruno Federowski

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Às 10h51, o dólar avançava 1,36%, a R$ 3,6305 na venda, sendo que na máxima do dia, chegou a R$ 3,6494
Às 10h51, o dólar avançava 1,36%, a R$ 3,6305 na venda, sendo que na máxima do dia, chegou a R$ 3,6494

O dólar avançava cerca de 1,5% e se aproximava de R$ 3,65 nesta segunda-feira (21), após o BC (Banco Central) anunciar para esta sessão leilão de até 20 mil swaps cambiais reversos, equivalentes à compra futura de até US$ 1 bilhão, após a moeda norte-americana perder mais de 10% neste mês.

Às 10h51, o dólar avançava 1,36%, a R$ 3,6305 na venda, sendo que na máxima do dia, chegou a R$ 3,6494. Até o pregão passado, a moeda havia recuado 10,54% no acumulado de março.


O dólar futuro, que havia reagido após o fechamento do mercado a vista depois de o BC fazer pesquisa de demanda por swaps reversos, avançava cerca de 0,15%.

"O BC identificou nas mesas que o pessoal estava vendendo muito no mercado futuro e esse leilão dá conta dessa demanda. É uma válvula de escape", disse o operador da corretora Spinelli José Carlos Amado.


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O BC fará entre 12h10 e 12h20 leilão de até 20 mil swaps cambiais reversos, divulgando o resultado a partir das 12h30.

A atuação foi entendida no mercado como uma porta de saída rápida para investidores que haviam apostado na alta da moeda norte-americana e foram pegos de surpresa pelo tombo recente, além de corrigir distorções no mercado causadas pela euforia política e que causaram fortes quedas na moeda.


As vendas de dólares no mercado futuro, combinadas com as saídas de dólares no mercado à vista, pressionaram o cupom cambial, taxa de juros em dólar no mercado brasileiro, a níveis considerados exagerados por muitos investidores.

A taxa de três meses ficou em 3,46% na sexta-feira (18), perto dos níveis vistos no início de março, quando o BC anunciou leilão de venda de dólares com compromisso de recompra para, na opinião de operadores, corrigir distorções. Nesta sessão, a máxima foi de 3,25%.

Alguns operadores discutiam ainda a possibilidade de o BC ter como fim evitar cotações voláteis e muito baixas do dólar, que prejudicariam exportadores.

A operação vem no momento em que a crise política alimenta apostas no impeachment da presidente Dilma Rousseff, algo que muitos operadores entendem como possível primeiro passo para a recuperação da economia brasileira.

Em particular, a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes de suspender a nomeação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como ministro-chefe da Casa Civil era vista positivamente nas mesas. Pesquisa do Datafolha mostrando amplo apoio ao impeachment de Dilma também corroborava o humor.

"O mercado está operando política, o que significa que a volatilidade vai ser bastante elevada por tempo. O BC está em uma situação difícil", disse o operador Marcos Trabbold, da corretora B&T.

O BC também fará mais leilão de rolagem dos swaps tradicionais que vencem em abril, equivalente a US$ 10,092 bilhões, com oferta de até 3.600 contratos que representam venda de dólares no mercado futuro.

Pesquisa Reuters publicada na quinta-feira mostrou que, pela mediana do mercado, o dólar pode ir a R$ 4,25 ou a R$ 3,50 neste ano dependendo do desfecho político.

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