Dólar sobe de novo e encosta em R$ 3,40
Alta de 1,12% da moeda norte-americana foi guiada por temor de juros maiores nos EUA
Economia|Do R7

O dólar fechou com alta superior a 1% nesta quarta-feira (23), se aproximando do patamar de R$ 3,40, movimento sustentado por indicadores vigorosos da economia dos Estados Unidos que reforçaram a percepção de que será necessário aumentar os juros no país e com a ausência do Banco Central brasileiro no mercado cambial, pelo menos por enquanto.
O dólar fechou em alta de 1,12%, a R$ 3,3940 na venda, depois de bater R$ 3,4210 na máxima do dia, com salto de 1,92%. O dólar futuro operava com alta de cerca de 1% no final desta tarde.
Para o encontro de dezembro do Fed, as chances estavam praticamente em 100% de elevação na taxa do país, segundo o FedWatch.
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No exterior, o dólar subia ante outras divisas de emergentes, como os pesos mexicano e chileno, no final da tarde. "Os dados fortalecem a leitura de que os juros terão que subir nos Estados Unidos", comentou o operador de câmbio de uma corretora doméstica.
Ajudou também na valorização do dólar o fato de o BC brasileiro ter ficado de fora deste pregão. Na sessão passada, a autoridade encerrou a rolagem dos swaps tradicionais —equivalentes à venda futura de dólares — que vencem no dia 1º de dezembro e, à noite, não anunciou leilões para esta sessão.
A atuação do BC veio após a surpreendente vitória de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos, nas eleições do dia 8 passado, que alimentou forte onda de aversão ao risco nos mercados globais com o temor de que sua política econômica possa ser inflacionária e pressionar o Federal Reserve, banco central do país, a elevar ainda mais os juros.
Com isso, além de o BC brasileiro fazer leilões de swaps tradicionais para rolagem, ele também vendeu novos contratos, elevando o estoque. Nesta semana, no entanto, ele apenas fez leilões para rolagem.
Até a eleição de Trump, o BC vinha apenas realizando leilões de swaps cambiais reversos, que equivalem à compra futura de dólares, para reduzir os estoques de swaps tradicionais, atualmente em cerca de US$ 26,6 bilhões.
"Não está previsto nenhum leilão para hoje e amanhã é feriado lá fora, o que traz esse movimento defensivo global", comentou o operador da Advanced Corretora, Alessandro Faganello, referindo-se ao feriado norte-americano do Dia de Ação de Graças, que manterá os mercados financeiros locais fechados.
Após o fechamento do mercado cambial à vista, o Fed divulgou a sua ata, sinalizando que os juros devem subir em dezembro. A maioria dos membros votantes e não votantes considerou bem-vinda uma alta de juros "relativamente em breve".
O dólar futuro praticamente não sofreu alterações após a divulgação da ata e subia cerca de 0,9% no final desta tarde.















