Dólar sobe de novo e se reaproxima do patamar de R$ 3,15
Salto de 1% da moeda dos EUA foi puxado por temores sobre reforma da Previdência
Economia|Do R7

O dólar comercial subiu 1% e se aproximou de R$ 3,15 nesta quinta-feira (6), com os investidores nervosos em meio ao andamento da reforma da Previdência no Congresso Nacional, tida como essencial para colocar as contas públicas em ordem.
No fechamento da sessão, o dólar avançava 0,99%, vendido a R$ 3,1457, maior nível de fechamento desde 14 de março (R$ 3,1693). Na máxima da sessão, a moeda norte-americana foi a R$ 3,1489. O dólar futuro tinha alta de cerca de 0,8% no final da tarde.
"Está caindo a ficha de que a reforma da Previdência pode ficar aquém do esperado e afugentar o investidor estrangeiro", comentou o chefe da mesa de operações de uma corretora nacional.
Na véspera, o mercado já havia estressado com a pesquisa feita pelo jornal O Estado de S. Paulo com deputados e que revelou que a proposta do governo sobre a reforma da Previdência seria rejeitada por 242 parlamentares. Para aprová-la, o governo do presidente Michel Temer precisa de 308 votos favoráveis, do total de 513 deputados.
Nesta manhã, o presidente Michel Temer declarou que havia autorizado mudanças na reforma, desde que não promovesse mudanças na idade mínima.
Em seguida, diante da constatação de que não teria condições de aprovar a reforma da Previdência como está, o governo admitiu alterar a proposta em pelo menos cinco pontos mais sensíveis: as regras de transição, as normas para aposentadoria rural, o acúmulo de pensões, aposentadorias especiais para professores e policiais e os Benefícios de Prestação Continuada.
O humor dos mercados piorou de vez após o ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, declarar a alguns veículos de comunicação que a flexibilização da reforma vai reduzir em pelo menos 10% a economia que o governo projetava nos próximos dez anos nos gastos com INSS, o correspondente a R$ 67,8 bilhões.
O cenário externo também ficou no radar do mercado nesta sessão, sobretudo como a política monetária dos Estados Unidos será conduzida. Na véspera, o Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, indicou que pode adotar medidas para começar a reduzir seu portfólio de US$ 4,5 trilhões ainda este ano desde que a economia tenha o desempenho esperado.
"Ao reduzir esse estoque de títulos, o Fed enxuga a liquidez do sistema, o que tem efeito de alta de juros", explicou o operador da corretora H.Commcor, Cleber Alessie Machado.
Por isso, a divulgação dos dados do mercado de trabalho norte-americano no dia seguinte ganhou ainda mais importância porque pode reforçar a percepção de que o Fed pode precisar de mais altas de juros além das duas ainda precificadas para o restante do ano.
Mais juros na maior economia do mundo pode atrair recursos até então aplicados em outras praças, como a brasileira.
O Banco Central brasileiro não anunciou intervenção no mercado de câmbio para esta sessão. Em maio, vencem US$ 6,389 bilhões em swap cambial tradicional, equivalente à venda futura de dólares.















